
Historicamente, as eleições para o Governo de São Paulo tendem a ser polarizadas, muitas vezes sendo decididas no primeiro turno. Este cenário representa um desafio significativo para a campanha de Fernando Haddad (PT) em outubro, que busca neutralizar o favoritismo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
De acordo com uma pesquisa recente do Datafolha, Tarcísio lidera a disputa com 46% das intenções de voto, enquanto Haddad contabiliza 30%. Outros pré-candidatos, como Vera Lúcia (PSTU) com 5%, Vivian Mendes (UP) e Carlos Machado (PCB), ambos com 4%, estão bem abaixo na corrida.
O histórico de eleições em São Paulo
Uma análise das eleições paulistas desde 1990 revela que, em contextos de forte polarização, como ocorreu em 2006 e 2010, os resultados foram decididos logo no primeiro turno. Em 2006, José Serra (PSDB) venceu Aloizio Mercadante (PT) com 58% dos votos, enquanto Mercadante obteve 32%. Orestes Quércia (PMDB), que também disputou, somou apenas 4,6%.
Em 2010, o cenário se repetiu, com Geraldo Alckmin (PSDB) recebendo 50,59% dos votos, em contraste com os 35,21% de Mercadante. Naquela eleição, as alternativas foram pulverizadas, com Celso Russomanno (PP) marcando 11%.
Desafios para Haddad
Apesar de pouca garantia de resultados futuros baseados em resultados passados, Haddad se depara com o histórico eleitoral desfavorável do PT em São Paulo, onde nunca governou. Especialmente no interior, o partido enfrenta resistência, como evidenciado nas eleições de 2022, onde o ex-ministro venceu na capital, mas perdeu na maioria das cidades do interior e litoral.
Os dados das eleições municipais de 2024 oferecem uma perspectiva sobre esse desafio. Com a predominância de partidos de centro e direita, o interior se apresenta como um bastião para Tarcísio, que controla a maioria dos grandes colégios eleitorais. Centenas de prefeitos pertencem a siglas de direita, o que dificulta a tarefa de Haddad de se fortalecer na região.
O potencial de um segundo turno
Carlos Melo, cientista político do Insper, considera que a polarização pode levar as candidaturas de Tarcísio e Haddad a ficarem restritas, levando ao provável desfecho da eleição já no primeiro turno. Ambos os candidatos têm enfrentado dificuldades para estabelecer uma base sólida no interior, com Haddad encontrando obstáculos adicionais devido à falta de apoio do partido na região, já que muitos optam por manter laços com o governo atual.
Henrique Curi, consultor da Metapolítica Consultoria, acredita que, embora uma vitória no primeiro turno para Tarcísio seja viável, isso é mais desafiador do que no passado, especialmente considerando a capilaridade histórica do PSDB. Já Emídio de Souza (PT) afirma que a eleição ainda está aberta e que Haddad pode ter melhores chances de crescimento no interior em 2026.
Como dados recentes indicam, a capacidade de Haddad de aglutinar apoio no interior, em meio a um campo político dominado por forças adversárias, será crucial para suas aspirações políticas. A eleição se desenha como um teste de força não apenas entre as ideias, mas também entre as estruturas de apoio nas raízes do estado.
Para mais detalhes, confira a análise original publicada pela Folha de S.Paulo.











