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SP

Transformação imobiliária em São Paulo cresce com chegada de novas linhas de metrô

As novas linhas de metrô em São Paulo, inauguradas recentemente, estão transformando significativamente o perfil urbano da cidade, principalmente em áreas de classe média. De acordo com informações publicadas pela Folha, a mudança é mais acentuada nas zonas norte, sul e oeste, onde se concentram novos empreendimentos imobiliários em decorrência da chegada das linhas 6-laranja e 17-ouro.

Na linha 6-laranja, os bairros em torno das estações Sesc Pompeia, Perdizes e PUC-Cardoso de Almeida, na zona oeste, se destacam pela intensa verticalização. Desde 2016, pelo menos 108 empreendimentos foram licenciados na área, a até 700 metros das estações. No centro, as estações 14 Bis e Bela Vista também mostram-se promissoras, com 54 novos pedidos de construção. Na zona norte, o bairro Freguesia do Ó se destaca com 27 processos de licenciamento nos últimos dez anos.

Legislação Urbanística e Verticalização

O estímulo à construção de novos prédios próximo às estações de metrô é impulsionado pela legislação urbanística. O Plano Diretor de 2014 e a Lei de Zoneamento de 2016 promovem essa prática, mas mantêm restrições em alguns bairros. Isso gera uma distinção clara nas áreas de transformação, como observado na estação Cardoso de Almeida, onde o entorno de Perdizes se beneficia da verticalização em contraste com a menor atividade no Pacaembu.

A construção de novas edificações não necessariamente resulta em um aumento populacional instantâneo. Especialistas, como Marcelo Ignatios, consultor em desenvolvimento urbano, afirmam que a construção na várzea do rio Tietê ainda enfrenta barreiras, apesar das flexibilizações nas leis previstas para 2024. Ignatios observa que as discussões prolongadas sobre o projeto Arco Tietê afetaram o crescimento imobiliário na região.

Reinaldo Fincatti, sócio-diretor da Embraesp, destaca que a valorização de terrenos pode variar de 20% a 30% com a proximidade de estações de metrô, considerando o zoneamento como um fator que favorece o mercado.

Territórios Distintos e Novas Dinâmicas Urbanas

A linha 6-laranja abrange diferentes tipos de territórios: áreas de periferia e classe média baixa na zona norte, regiões industriais perto do rio Tietê, e distritos da zona oeste e centro com infraestrutura mais desenvolvida e maior renda. A professora Isadora Guerreiro, da USP, observa que a transformação na linha 17-ouro é menos notável devido ao controle rígido imposto pela operação urbana Água Espraiada.

Embora o número de novos prédios tenha aumentado, não há uma correspondência clara com o crescimento populacional, como indica um relatório da prefeitura. O aumento do aluguel de curta temporada e a concentração de unidades voltadas para investidores também são fatores em análise.

Além do crescimento vertical nas áreas centrais, a transformação é notável nas periferias, com casos como a Brasilândia, que superou as expectativas de construção. O desenvolvimento se reflete na mudança do perfil demográfico, atraindo uma população mais jovem em áreas próximas a universidades.

Impactos Sociais e Urbanos

A verticalização acarreta diversos impactos, incluindo desapropriações, como o caso da quadra da escola de samba Vai-Vai. Moradores têm expressado a necessidade de que o desenvolvimento urbano inclua melhorias na infraestrutura local, como praças e equipamentos sociais. O arquiteto Enio Silva ressalta que o “custo-benefício” das mudanças deve ser avaliado.

Em contrapartida, há mobilizações para conter a verticalização desmedida em várias áreas. O arquiteto Antonio Castelo Branco, presidente da Amora Perdizes, afirma que o bairro já foi descaracterizado e demanda melhor planejamento para o futuro.

A concessionária Linha Uni, responsável pela linha 6, assegura que o paisagismo foi projetado para incorporar mais áreas verdes e comunidades, enquanto o Metrô, sob a gestão de Tarcísio de Freitas, ressalta suas ações para integrar a infraestrutura metroviária ao espaço urbano.

Por fim, a gestão de Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, informa que as políticas urbanas estão interligadas, buscando uma articulação eficaz entre transporte, habitação e meio ambiente.

Metodologia da Pesquisa

Segundo informações da Folha, a análise utilizou dados de processos de licenciamento protocolados desde 2016, indicando um potencial de expansão, uma vez que pedidos anteriores podem ser alterados para se adequar às novas normas de zoneamento. O levantamento inclui também empreendimentos voltados para a Habitação de Interesse Social, evidenciando o compromisso com a diversificação habitacional.

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