
Crianças enfrentam trauma após assistirem ao ataque contra a mãe. A avó das crianças relata que o mais velho, de 8 anos, compreende a situação, enquanto o de 6 anos não reagia a menções sobre a mãe, e o menor, de 4 anos, ainda chama por ela. As crianças brincam nos corredores do Cravi sob a supervisão de assistentes sociais.
Cristiane, avó das crianças, recebeu a guarda definitiva recentemente. “Até isso acontecer, eu não dormia com medo”, declara. Atualmente, cada uma das três crianças beneficia-se do programa Auxílio Ampara, da Prefeitura de São Paulo, criado para apoiar órfãos de feminicídio.
Casos de violência doméstica em crescimento
O Cravi registrou um aumento nas demandas relacionadas à violência doméstica, conforme destaca Natale, coordenadora do programa. Em 2024, contabilizou-se 778 casos ativos, aumentando para 784 em 2025. O programa atende apenas aqueles que se configuram como tentativas de feminicídio; quando não há elementos que indiquem crimes contra a vida, as assistentes encaminham os casos para instituições como a Casa da Mulher Brasileira e a Casa Sofia.
Uma parceria entre o Cravi e o Tribunal de Justiça de São Paulo visa aprimorar o fluxo de atendimento. A coordenadora explica que recebem boletins de ocorrência e decisões judiciais após audiências de custódia. Isso permite que contatem as vítimas para informá-las sobre a situação do agressor, seja prisão, uso de tornozeleira eletrônica ou outras medidas. Além disso, esses contatos são essenciais para identificar se as vítimas sofreram tentativas de feminicídio.
*Os nomes foram alterados para proteger a identidade da entrevistada.











