
Especialistas em saúde, clima e desempenho esportivo estão cobrando à FIFA uma atualização em seus protocolos de segurança térmica antes da Copa do Mundo Masculina de 2026. Conforme publicado pela Veja, os pesquisadores alertam que as normas atuais são inadequadas para garantir a proteção dos jogadores diante das altas temperaturas esperadas durante o torneio, que ocorrerá em 16 cidades dos Estados Unidos, México e Canadá.
O apelo, que, segundo a mesma fonte, reúne especialistas renomados em fisiologia, medicina esportiva e mudanças climáticas de diversos países, argumenta que os limites considerados seguros pela FIFA são “impossíveis de justificar”. Os pesquisadores expressam preocupação específica em relação aos jogos que ocorrerão no período da tarde, onde o calor pode se tornar um fator crítico.
De acordo com Mike Tipton, professor de Fisiologia Humana e Aplicada no Laboratório de Ambientes Extremos da Universidade de Portsmouth, o exercício físico em ambientes quentes pode resultar em sérias consequências, desde a redução de desempenho até emergências médicas relacionadas ao golpe de calor. “Alguns locais da Copa de 2026 provavelmente ultrapassarão o limite considerado ‘alto risco’ em dias de jogos vespertinos”, alerta Tipton.
Medidas de Calor e Segurança dos Jogadores
O foco da discussão gira em torno do índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT), um parâmetro crucial para avaliar o impacto do calor no corpo humano. Ao contrário da simples sensação térmica, o WBGT leva em conta a umidade, vento, radiação solar e temperatura do ar. A FIFA atualmente permite que as partidas continuem, mesmo quando o WBGT atinge até 32°C, limitando apenas a pausas rápidas para hidratação.
Entretanto, especialistas como Douglas Casa, em segurança esportiva e doenças relacionadas ao calor, asseguram que esse limite está muito acima do que se considera seguro. “Pesquisas mostram que a prática de esportes de alta intensidade com um WBGT superior a 28°C já pode representar um risco significativo aos jogadores”, afirma Casa.
Pauses Insuficientes para Resfriamento
Além disso, a carta critica as curtas pausas de resfriamento estabelecidas pela FIFA para os jogos. A organização definiu interrupções de três minutos em cada tempo, independentemente das condições climáticas. Contudo, os especialistas consideram esse tempo insuficiente para promover a verdadeira reidratação e o resfriamento corporal necessários.
Os pesquisadores sugerem a ampliação dessas pausas para pelo menos seis minutos e recomendam a adoção de tecnologias de resfriamento nos vestiários. Eles também pedem que a FIFA adote protocolos que sigam as diretrizes estabelecidas pela FIFPRO, que recomendam suspensões quando o WBGT ultrapassa 26°C e até adiamentos para temperaturas acima de 28°C.
Impactos Climáticos do Torneio
As preocupações vão além do bem-estar dos atletas, englobando também a saúde de torcedores, trabalhadores e equipes de apoio, em um cenário de agravamento das mudanças climáticas. Destaca-se que a Copa de 2026 pode ser a edição mais poluente da história do torneio. A ampliação para 48 seleções e a realização de partidas em três países e 16 cidades tenderão a incrementar as emissões de carbono, principalmente devido ao aumento das viagens aéreas.
“As mudanças climáticas já ameaçam a saúde e sobrevivência humanas”, enfatiza Hugh Montgomery, diretor do Centro de Saúde e Desempenho Humano da University College London, conforme citado pela Veja.
Por fim, a carta também critica o relacionamento comercial da FIFA com a Aramco, patrocinadora do torneio e a maior produtora de petróleo do mundo. Os pesquisadores argumentam que essa parceria representa um claro ‘conflito de interesse’ considerando os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde dos atletas.











