Novas capitais transformam países e levantam debates sobre representatividade e modernidade

A criação de novas capitais com propósitos específicos é uma prática que remonta a séculos. Segundo informações publicadas pelo UOL, a cidade de Washington foi estabelecida como uma capital federal neutra, localizada entre Maryland e Virgínia, com o intuito de equilibrar a disputa de poder entre o norte e o sul dos Estados Unidos.
De forma semelhante, países como Canadá, Austrália e Nova Zelândia adotaram essa lógica ao designar suas capitais. Na segunda metade do século 19, Ottawa, Canberra e Wellington emergiram como centros políticos por estarem estrategicamente posicionadas entre regiões significativas de seus respectivos países.
No século 20, a concepção de novas capitais seguiu uma abordagem distinta. O sociólogo sueco Göran Thernborn, em seu artigo no “Oxford Handbook of Contextual Political Analysis,” destaca Brasília como um dos exemplos mais marcantes. A capital brasileira, criada no final da década de 1950 no planalto central, foi planejada como parte de um projeto de desenvolvimento nacional, visando, assim, a exploração de uma região anteriormente inexplorada.
Com a contribuição do urbanista Lúcio Costa e do arquiteto Oscar Niemeyer, Brasília tornou-se um ícone da modernidade urbana do século 20, embora tenha gerado polêmicas em sua concepção.
Outro exemplo é a Nigéria, que transferiu sua capital de Lagos, uma cidade tradicionalmente iorubá, para Abuja em 1991. Esta mudança, ocorrida em um contexto de ditadura militar e forte pressão popular, buscou oferecer maior representatividade às diversas etnias do país.
Nas últimas décadas, o crescimento excessivo de capitais, acompanhadas por problemas como poluição e tráfego intenso, gerou debates em vários países, incluindo China, Japão, Argentina, Coreia do Sul, Costa do Marfim e Tanzânia. Alguns optaram por desistir da mudança, enquanto outros ainda ponderam a possibilidade de uma nova configuração.











