
A reunião entre Trump e Lula, que durou cerca de três horas em Washington no dia 7 de maio, resultou em uma troca de mensagens favoráveis nas redes sociais, onde o presidente americano descreveu Lula como “um presidente muito dinâmico”. A imagem oficial do encontro, com ambos sorrindo, também foi vista como positiva para o Brasil.
Abdenur comparou essa visita ao atendimento que Trump deu ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em fevereiro de 2025, quando o americano impôs uma situação constrangedora ao chefe de Estado ucraniano. “Trump menospreza quem vai a ele a pedir algo e que ele sente ser ‘inferior’”, afirmou Abdenur, ressaltando que Lula, antes da visita, foi um dos poucos líderes a confrontar Trump publicamente, o que elevou seu respeito.
Para o ex-embaixador, essa aproximação entre Brasil e Estados Unidos evidencia um avanço nas relações bilaterais, enquanto altera o vínculo entre o governo norte-americano e o bolsonarismo. “Os bolsonaristas não contam mais com acesso privilegiado a altos escalões do trumpismo”, acrescentou Abdenur. Ele também destacou que Lula, com essa viagem, diminui a antiga resistência à relação do Partido dos Trabalhadores com os EUA.
No entanto, Abdenur expressou preocupação em relação ao secretário de Estado, Marco Rubio, que considera Lula como um “perigoso esquerdista”, o que pode gerar novas tensões. O diplomata possui uma vasta experiência no Itamaraty, tendo se juntado ao corpo diplomático em 1963, e participou de eventos históricos que vão desde a Guerra Fria até a invasão do Iraque.
Na sua passagem como embaixador durante o governo Lula, Abdenur trabalhou para suavizar a resistência da administração Bush à esquerda brasileira, conseguindo estabelecer uma relação harmoniosa com a Casa Branca, que anteriormente enxergava Lula apenas como um aliado de Fidel Castro.



