
Polícia Federal Aponta Indícios de Corrupção Envolvendo Senador Ciro Nogueira
A Polícia Federal (PF) investiga indícios de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Essas informações foram divulgadas na representação apresentada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que resultou na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira, 7 de maio de 2026.
Além das quantias mensais, Nogueira também seria beneficiado com custeio de viagens internacionais, hospedagens, despesas em restaurantes e voos privados, assim como o uso de imóveis de alto padrão de Vorcaro.
Emendas Suspeitas
De acordo com a representação da PF, em troca dessas vantagens, Nogueira apresentava projetos de lei favoráveis ao banqueiro. Um deles foi a Emenda nº 11, proposta à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65, em agosto de 2024. O conteúdo da emenda, posteriormente denominado “Emenda Master”, visava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
Fontes próximas às investigações afirmam que o texto da emenda foi elaborado por assessores do Banco Master e entregue na residência de Nogueira, que deveria apresentá-lo no Congresso. Vorcaro, por sua vez, indicou a interlocutores que a emenda “saiu exatamente como mandei”, afirmando que isso poderia “sextuplicar” os negócios do Banco Master.
Outras Vantagens e Aquisições
Ainda segundo os investigadores, Nogueira também teria recebido uma participação societária irregular na empresa Green Investimentos S.A., adquirida por apenas R$ 1 milhão, um valor que corresponderia a R$ 13 milhões no mercado. A aquisição foi feita pela CNLF Empreendimentos Imobiliários, administrada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador.
Repercussões Legais
O ministro André Mendonça, ao analisar os elementos apresentados pela PF, destacou a existência de provas, como transferências bancárias, registros de viagens e comunicação eletrônica entre supostos integrantes de uma organização criminosa. Mendonça proibiu Nogueira de manter contato com investigados e testemunhas do caso e determinou a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema.
Além disso, o irmão de Ciro Nogueira, Silva Nogueira Lima, foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica e também está proibido de deixar o país.
Nota de Defesa
Em resposta às acusações, o advogado de Ciro Nogueira refutou qualquer sugestão de conduta ilegal, enfatizando o compromisso do senador em colaborar com as investigações. O defensor argumentou que as medidas investigativas deveriam ser realizadas com cautela e fiscalização rigorosa, especialmente quando se baseiam em mensagens de terceiros.
A reportagem não obteve retorno das defesas de Felipe Cançado Vorcaro e de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.



