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SP

Roberto Burle Marx transforma paisagismo brasileiro e encanta na Exposição em SP

Roberto Burle Marx (1909-1994) foi um visionário do paisagismo brasileiro, antes mesmo da popularização do termo “biodiversidade”. O artista plástico e paisagista integrou a riqueza da flora nacional em seus trabalhos, combinando plantas nativas com exóticas para criar ambientes tropicais inovadores.

Enquanto os projetos de paisagismo da época priorizavam apenas espécies estrangeiras e reproduziam jardins europeus, Burle Marx introduziu uma nova abordagem. Ele trouxe à tona uma variedade de plantas, como bromélias, filodendros e cactos, transformando o cenário verde do país e dando origem a um repertório vegetal único. Seu trabalho incluiu a descoberta e nomeação de diversas espécies que não haviam sido catalogadas até então.

A exposição “Burle Marx: Plantas em Movimento”, que foi inaugurada no Museu Judaico de São Paulo em 30 de abril, celebra essa genialidade. A mostra evidencia como Burle Marx não apenas via as plantas como meros adornos, mas como elementos fundamentais na estruturação dos espaços urbanos, refletindo a identidade cultural dos locais.

Organizada em colaboração com o Instituto Burle Marx, a exposição inclui uma rica coleção de desenhos, pinturas, fotografias e vídeos que oferecem uma visão abrangente do processo criativo do artista. Revela como ele utilizou a arte abstrata para moldar os jardins e parques que idealizou.

Curiosamente, Burle Marx começou a explorar a flora tropical na Alemanha, durante uma estadia no Jardim Botânico de Berlim, onde se impressionou com a beleza das plantas. Após retornar ao Brasil, ele se dedicou a expedições por biomas como a caatinga, o cerrado, a Amazônia e a Mata Atlântica, em busca de novas espécies até a década de 1980.

Seu experimentalismo ocorreu em seu sítio em Barra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, que hoje abriga mais de 3.500 espécies. Nesse espaço, Burle Marx estudava o crescimento das plantas e suas interações, testando combinações antes de aplicá-las em seus projetos.

A conexão de Burle Marx com a natureza começou na infância, quando ajudava sua mãe no jardim da mansão da família na Avenida Paulista. Ele continuou essa tradição ao viver no Leme, onde desenvolveu um interesse por jardinagem e colecionava plantas. Após retornar da Europa, ele se uniu ao arquiteto Lucio Costa para realizar seu primeiro projeto paisagístico em 1932.

Além de seu legado artístico, Burle Marx também possuía raízes familiares ligadas à natureza. Seu pai, Wilhelm Marx, fundou a primeira fábrica em Cubatão (SP) voltada para o processamento de couro, utilizando tanino extraído do mangue-preto. O paisagista projetou um jardim na entrada da cidade, inaugurado em 1990.

Burle Marx destaca-se como um defensor do meio ambiente, promovendo a preservação das florestas e biomas brasileiros. Ele enfatizava a importância das áreas verdes nas cidades, afirmando: “Para que a vida nas cidades seja melhor, é preciso haver um número muito maior de áreas verdes. É preciso lutar contra a destruição da natureza. O mundo sem plantas seria um deserto.”

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