
Um laudo técnico elaborado por um perito da empresa FBI Demolições, responsável pela demolição, revelou que os casarões apresentam “altíssimo risco e precariedade”. O documento, acessado pela Folha, indicou que as construções têm fissuras nas paredes internas e sinais de deterioração nas fachadas, com queda de reboco e partes de adornos.
Medidas de Segurança Necessárias
O relatório recomenda a instalação de telas de proteção e a estabilização emergencial das estruturas, destacando a urgência dessas intervenções para garantir a segurança de transeuntes. Entretanto, até a data de início da demolição, em 29 de abril, os casarões ainda não contavam com as telas de proteção exigidas.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) justificou que as medidas adotadas, como o uso de demolição manual em vez de implosão, visam preservar o patrimônio cultural da região. Além disso, a administração municipal informou que não houve autuações contra os imóveis vizinhos por descumprimento de normas de conservação, ao contrário do Caveirão, que acumula R$ 2,4 milhões em multas.
Desafios Legais e Pendências Financeiras
Um dos proprietários do casarão de número 81, Claudio de Menezes Senna, alegou que seu imóvel enfrenta problemas de documentação e está em meio a uma disputa judicial, o que limita seu acesso. Ele afirmou que os danos causados pelo Caveirão têm sido frequentes, com quedas de fragmentos da estrutura.
Ambos os casarões possuem pendências financeiras significativas com a prefeitura, totalizando R$ 751,4 mil em dívidas de IPTU. Enquanto o imóvel de número 81 é tombado desde 2007, o de número 107 possui um tombamento temporário desde 2021, atualmente em fase de reconhecimento.
Características dos Casarões
O casarão do número 107 é destacado por sua arquitetura que representa as transformações do centro de São Paulo, com um estilo eclético e ornamentos que datam do início do século XX. Por outro lado, o imóvel de número 81, apesar de menos ornamentado, também exibe características arquitectônicas emblemáticas da época.
Demolição Manual e Prazos
A demolição do Caveirão será realizada de forma manual, utilizando britadeiras e cortadores de metal. O cronograma estabelece que o processo vai ocorrer andar por andar, com a arquitetura do prédio inacabado desde os anos 1960 sendo cuidadosamente desmantelada em compliance com as normas de segurança estabelecidas.
O proprietário do Caveirão, Rivaldo Sant’Anna, também figura em disputas judiciais sobre a propriedade, devendo um total de R$ 3,5 milhões em IPTU. Enquanto a demolição avança, a expectativa é que as medidas de segurança para os imóveis vizinhos sejam priorizadas e executadas imediatamente.
Essa situação ilustra os complexos desafios de preservar o patrimônio histórico em áreas urbanas em processo de transformação e requalificação.











