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Relatório revela 500 mortes anuais em prisões de São Paulo e escândalos no sistema de saúde

REPRODUÇÃO/AGÊNCIA BRASILRelatório aponta cerca de 500 mortes por ano em prisões de São Paulo

Conforme apurado pelo portal Último Segundo, um novo relatório do Núcleo de Estudos da Violência da USP revelou que o sistema prisional em São Paulo enfrenta uma grave crise de saúde, resultando em aproximadamente 500 mortes por ano, o que corresponde a uma morte a cada 19 horas.
O estudo realizou uma análise abrangente das condições de saúde nas unidades prisionais e registrou mais de 4.100 mortes entre 2015 e 2023.

Déficit de saúde nas prisões

De acordo com a pesquisa, apenas 92 das 178 unidades prisionais em São Paulo têm equipes mínimas de saúde vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Surpreendentemente, 78 unidades não contam com esse suporte, e o atendimento médico é realizado por profissionais da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), sendo que a presença de médicos é irregular na maioria deles.

Cenário alarmante na capital

A situação se agrava na cidade de São Paulo, que não aderiu à Deliberação CIB nº 62/2012. Essa deliberação é crucial para assegurar recursos e equipes de atenção básica nas prisões. Como resultado, as 11 unidades prisionais da capital estão sem equipes de saúde vinculadas ao SUS.
O relatório destaca que essa realidade é alarmante, considerando que a capital abriga uma parte significativa da população carcerária e reflete um problema federativo que compromete o direito fundamental à saúde. O acesso a serviços médicos externos também apresenta desafios; entre 2024 e 2025, 67 mil atendimentos externos foram realizados, mas 22 mil não ocorreram devido à falta de escolta.

Problemas estruturais no sistema

O relatório identificou várias falhas no sistema prisional:

  • Quase metade das unidades não conta com equipe do SUS, resultando na ausência de médicos.
  • A falta de escolta resulta em atrasos e impede atendimentos médicos essenciais.
  • A eficácia das políticas de saúde depende da colaboração entre estados e municípios, o que frequentemente não acontece.

Desafios do maior sistema prisional do Brasil

São Paulo abriga aproximadamente 30% da população carcerária do Brasil, consolidando-se como o maior sistema prisional do país. O relatório ainda salienta que cerca de 70% das pessoas em situação de rua na região da Cracolândia já estiveram encarceradas, levantando questionamentos sobre o suporte oferecido durante e após o tempo na prisão.

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