
A disputa pelo controle do Palácio Guanabara se intensificou nesta quarta-feira, 23 de abril de 2026. O ex-prefeito Eduardo Paes criticou abertamente o presidente da Alerj, Douglas Ruas, que solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a interinidade no governo do estado. Atualmente, essa posição é ocupada, de forma provisória, pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto.
No Twitter, Paes fez uma postagem em resposta ao movimento de Ruas, expressando sua desaprovação em relação ao agrupamento político vinculado à administração anterior. Ele escreveu: “Eles estão ansiosos e com medo! As auditorias e o ‘caça-fantasmas’ do governador interino Ricardo Couto estão causando ansiedade. Que tal tentar sentar na cadeira com eleições limpas sem CEPERJ? Topam?”
A manifestação de Paes ocorreu logo após a Alerj solicitar ao ministro Luiz Fux que reconheça Douglas Ruas como primeiro sucessor constitucional do Executivo fluminense. A Assembleia sustentou que a continuidade de Ricardo Couto no cargo só se justificaria até que um presidente da Casa estivesse capacitado a assumir. Com a eleição de Ruas no dia 17 de abril, argumentam que a ordem sucessória deve ser restabelecida imediatamente.
Essa situação se insere em uma crise que começou com a renúncia do então governador Cláudio Castro, em 23 de março, e a consequente inelegibilidade deste, que complicou ainda mais a situação política. A saída de Castro, junto com a perda do mandato de Rodrigo Bacellar, que presidia a Alerj, resultou em um vazio de poder, levando o STF a manter Ricardo Couto no governo até que uma solução sobre a eleição do novo chefe do Executivo seja definida.
Douglas Ruas busca capitalizar politicamente com essa ofensiva, especialmente ao se apresentar como uma opção para o PL nas eleições estaduais de 2026. Sua tentativa de assumir o governo, mesmo que temporariamente, possui significativa relevância política. A rápida reação de Paes, potencial pré-candidato do PSD ao Palácio Guanabara, é lida como um alerta ao seu oponente.
Entretanto, a eleição de Ruas para a presidência da Alerj não resolveu a crise. Com 44 votos, ele foi eleito em uma sessão que enfrentou boicotes e críticas ao sistema de votação aberta. O PDT já recorreu ao STF buscando anular a eleição, alegando que o modelo expôs os deputados a pressões indevidas.
No STF, ainda permanecem decisões críticas pendentes sobre quem deve governar o estado até o fim do mandato-tampão e se essa escolha ocorrerá por meio de eleições diretas ou indiretas. O julgamento sobre esse tema foi interrompido com um placar inicial de 4 a 1 a favor da escolha pela Alerj, mas a situação ainda se encontra paralisada devido a pedidos adicionais de análise.
Entre as disputas jurídicas, a situação política se torna cada vez mais acirrada. Ruas busca usar sua posição na Assembleia como um trampolim para o governo estadual, enquanto Paes se habilita a desgastar seu adversário, ligando sua ofensiva a questões políticas controvertidas, como o histórico do Ceperj, que simboliza a má gestão no estado.



