Eliana Calmon classifica representação de Gilmar Mendes contra senador como revanche injustificável

Ex-ministra do STJ critica Gilmar Mendes por ação contra senador da CPI
Segundo informações publicadas pelo Estadão, a ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon, classificou a representação feita pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, contra o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, como uma “revanche”. A declaração de Calmon sugere que a ação de Mendes teria como objetivo evitar críticas a membros da Corte.
Ação precipitada ou vingança?
Calmon afirmou que houve uma “precipitação” por parte de Mendes ao protocolar a representação contra Vieira, sugerindo que isso seria mais uma questão de vingança do que uma abordagem judicial adequada. “Isso é que me parece uma vingança e uma revanche”, comentou a ex-ministra.
STF e suas decisões
Calmon defendeu que, embora tenha respeito pelo STF, isso não implica em uma proteção absoluta para seus membros. “Eles também precisam ser responsabilizados quando agem de forma irregular”, pontuou. Ela criticou a avaliação de Mendes, que alegou abuso de autoridade por parte do senador ao propor o indiciamento de ministros do STF no relatório final da CPI.
Contexto da representação
Gilmar Mendes enviou um ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) acusando o senador de desvio de finalidade e abuso de autoridade. A alegação está relacionada ao indiciamento de Mendes no relatório final da CPI, que apura crime de responsabilidade devido à decisão do ministro de barrar a quebra de sigilo de uma empresa vinculada à família de Dias Toffoli.
Legitimidade das ações do senador
Calmon salientou que a ação do senador foi realizada dentro dos limites constitucionais, afirmando que ele atuou como uma autoridade judiciária ao conduzir investigações preliminares. "O senador não houve abuso de autoridade, na medida em que estava embasado na Constituição", reforçou a ex-ministra.
Conclusão sobre a postura do STF
A crítica de Calmon se estende à percepção de que o STF confunde críticas a seus membros com ataques à própria instituição. "O STF não aceita que haja qualquer crítica a qualquer membro. Eles não são a democracia, mas sim membros dela", concluiu Eliana Calmon.
Os comentários da ex-ministra refletem um cenário de crescente tensão entre o Legislativo e o Judiciário no Brasil, levantando questões sobre a independência e a accountability das instituições.



