
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (24) o Projeto de Lei Antifacção, estabelecendo um marco legal para o combate ao crime organizado no Brasil. Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, o texto foi aprovado com vetos e define parâmetros rígidos para o enfrentamento das facções criminosas.
A nova lei classifica como facções criminosas grupos compostos por três ou mais pessoas que utilizam violência, ameaça ou coação para exercer controle territorial ou social, intimidar a população ou atacar serviços essenciais. Além disso, a proposta estabelece a possibilidade de perder o título de eleitor em caso de prisão provisória, altera prazos para a conclusão de inquéritos policiais e incentiva a denúncia, garantindo recompensas financeiras a quem oferecer informações relevantes.
Vetos Presidenciais
Lula vetou duas partes do projeto. A primeira se refere à inclusão de infratores que não pertençam a organizações criminosas, considerando que isso poderia criar insegurança jurídica, já que tais condutas estão tipificadas no Código Penal. A segunda tratava da destinação de produtos e valores apreendidos, o que poderia comprometer a receita da União em um momento onde os recursos para segurança pública são críticos.
Mudanças Significativas
Apesar dos vetos, o governo manteve as principais diretrizes do projeto, incluindo o aumento das penas e a criação de novas condutas criminosas. A Câmara dos Deputados restaurou um trecho que eleva as penas para até 40 anos, permitindo também a responsabilização na fase de planejamento de crimes.
Prisão Preventiva e Controle
O novo texto possibilita a prisão preventiva para aqueles que integrarem ou financiarem facções criminosas, com o Judiciário decidindo o prosseguimento da prisão desde o início das investigações. Os crimes relacionados continuam sendo considerados hediondos, com regras mais rígidas para progressão de pena.
Bens e Recursos
A proposta amplia a possibilidade de bloqueio de bens e apreensão de ativos relacionados a atividades ilícitas. A intervenção judicial em empresas vinculadas a facções também foi restabelecida, assim como a criação de um banco nacional de dados de organizações criminosas, que integra sistemas federais e estaduais.
Destaques na Tramitação
Os deputados decidiram retirar do projeto a CIDE-Bets, proposta para financiar a segurança pública, que agora seguirá como um projeto de lei autônomo. Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), essa questão será tratada separadamente.
A sanção deste Projeto de Lei é um passo importante na luta contra o crime organizado no Brasil, visando fortalecer ações governamentais e garantir maior segurança ao cidadão.



