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Brasil

Governador Cláudio Castro renuncia a cargo em meio a crise eleitoral e incertezas jurídicas

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), está prestes a renunciar ao cargo nesta segunda-feira (23/3), um dia antes de uma sessão crucial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que poderá resultar na cassação de seu mandato, além de torná-lo inelegível por até oito anos. A cerimônia de despedida está agendada para ocorrer às 16h30 no Palácio Guanabara.

A decisão de Castro, já debatida nos bastidores durante a última semana, reflete uma mudança em sua estratégia política. Inicialmente, a renúncia seria anunciada de maneira sutil, através de uma publicação no Diário Oficial. Contudo, aliados opinam que a escolha foi alterada após o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), realizar uma cerimônia de transmissão de cargo na cidade.

Segundo informações reportadas pelo Correio Braziliense, Castro enfrenta uma ação no TSE que investiga abuso de poder político e econômico, além de possíveis condutas inapropriadas por parte de agentes públicos durante sua campanha à reeleição. O processo levanta suspeitas sobre o uso de recursos do governo estadual para favorecer sua candidatura, principalmente através de contratações na Fundação Ceperj.

Até o momento, o julgamento apontava um placar de 2 votos a 0 a favor da cassação. A sessão foi interrompida após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques e será retomada na próxima terça-feira (24/3). Nos bastidores, há a percepção de que a renúncia busca evitar a conclusão do julgamento, embora o processo ainda possa continuar, levando a uma declaração de inelegibilidade para o governador.

A movimentação é vista também como uma tentativa de manter sua relevância política para as eleições deste ano, abrindo portas para uma possível candidatura ao Senado.

A decisão de Castro foi criticada por Eduardo Paes, seu adversário político e pré-candidato ao governo estadual. Em suas redes sociais, Paes afirmou que a renúncia não é um encerramento de mandato, mas uma estratégia para evitar a responsabilização judicial. "Encerramento de mandato nada. Trata-se de um governador omisso fugindo da Justiça", destacou Paes, que também expressou confiança de que o TSE não permitirá esse tipo de manobra.

Transição de Governo

Com a saída de Castro e a ausência de um vice-governador — visto que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado —, a liderança do Executivo estadual será temporariamente assumida pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto. Ele será responsável por convocar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro para escolher o novo governador até o término do mandato em janeiro de 2027. Contudo, a realização desse processo ainda apresenta incertezas, uma vez que decisões recentes do Supremo Tribunal Federal suspenderam regras pertinentes à modalidade de eleição, gerando dúvidas sobre o formato da votação e critérios de seleção.

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