
SÃO PAULO, SP — Uma capivara espancada na madrugada de ontem por um grupo de seis homens e dois adolescentes, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, apresentou evolução em seu quadro clínico, conseguindo comer e beber sozinha, conforme informado pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) da Universidade Estácio de Sá, onde o animal está sendo tratado. Apesar das melhorias, ela ainda enfrenta sérios riscos à saúde.
O crime ocorreu na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara. A capivara foi encontrada gravemente ferida e, após algumas horas, foi vista tentando se locomover antes de se esconder em um terreno baldio. O resgate foi realizado por agentes da Patrulha Ambiental da Prefeitura, que sedaram o animal e prestaram os primeiros socorros.
Até o momento, seis homens foram detidos: Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Beserra da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo. A defesa dos acusados não foi localizada. Wagner, um dos detidos, foi reconhecido por uma testemunha como o agressor de outra capivara na semana anterior.
Segundo o veterinário Jeferson Pires, que está cuidando do animal, a capivara é um macho adulto de grande porte, pesando 65 quilos — o limite máximo para a espécie. Pires observou que o animal apresentava um quadro típico de traumatismo craniano, com sangramento nasal e movimentação ocular anormal, sugerindo uma possível lesão cerebral.
“Na madrugada, a capivara melhorou, comeu e bebeu. Ela já vocaliza e reclama. Embora isso seja um sinal positivo, o animal ainda não está fora de perigo”, explicou Pires. Há também o risco de miopatia, que pode ocorrer em casos de estresse extremo, como o vivido pela capivara, o que pode levar à morte até um mês após a agressão.
A capivara ficará sob cuidados do Cras por, no mínimo, duas semanas. O veterinário destaca que a atenção deve ser redobrada nos primeiros dez dias. “Se em duas semanas o animal mostrar melhoras significativas, podemos liberar”, acrescentou Pires.
Imagens de uma câmera de segurança registraram o ataque, auxiliando na identificação dos agressores. Eles foram encontrados na região próxima ao local do crime. As agressões só cessaram quando o animal desabou sob os golpes.
A Polícia Civil classificou o ataque como “bárbaro”, com “agressões brutais”. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, caracterizado como maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores, com penas que podem variar entre três meses a um ano de prisão.
Além disso, a situação poderá resultar na aplicação da multa por maus-tratos prevista no novo decreto “Cão Orelha”, com valores variando de R$ 1.500 a R$ 50 mil por animal, podendo chegar até R$ 1 milhão em casos agravantes, conforme informado pelo [EM] em reportagem anterior.
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