
O show “Todas Elas”, realizado por Vanessa da Mata no Tokio Marine Hall, em São Paulo, na noite de sábado (21), foi marcado por uma rica mistura de ritmos e mensagens sociais. A apresentação, que engrossa a turnê do álbum mais recente da cantora, brindou o público com quase duas horas de música, celebrando os 20 anos de carreira de Vanessa.
Natural de Alto Garças, Mato Grosso, Vanessa iniciou o espetáculo em clima de saudade, com uma moda de viola interpretada pelo violeiro Fabio Porte, que transportou a plateia para o coração do Pantanal. Ao fundo, uma cortina de cristais revelava uma imagem de uma santa com um manto dourado, enquanto a artista surgia acima, em uma escadaria evocativa.
No primeiro ato, o público foi apresentado a “Sobre as Coisas Mais Difíceis” e outras composições de “Todas Elas”, incluindo “Eu Te Apoio em Sua Fé”, “Ciranda” e “Demorou”, esta com a participação de João Gomes. A noite ainda teve espaço para o sertanejo, com a interpretação de “Você Vai Ver”, sucesso de Milionário e José Rico.
Interação e Emoção no Palco
Durante a interpretação de “História de uma Gata”, versão de Chico Buarque para o musical “Os Saltimbancos”, a artista conquistou a atenção da plateia. Com um vestido azul e flores em relevo, Vanessa cativou os espectadores, que se entregaram à apresentação.
O segundo ato teve início sob um coração iluminado que simbolizava os principais sucessos de sua carreira. Em “Boa Sorte / Good Luck”, que conta com a participação de Ben Harper, a cantora foi bastante aplaudida, necessitando fazer uma pausa até os aplausos cessarem.
Em entrevista à Folha após o show, Vanessa ressaltou que as músicas possuem uma vida própria, permitindo que o público se identifique profundamente com suas letras.
Mensagens de Amor e Feminismo
“Os espectadores não interpretam ‘Boa Sorte’ da mesma forma que eu,” destacou Vanessa, refletindo sobre como as interpretações pessoais se entrelaçam com as experiências vividas por cada ouvinte.
A artista homenageou a diversidade cultural ao cantar, em formato intimista, “Ainda Bem” e “Amado”. O encerramento do segundo ato foi grandioso, com a interpretação de “O Mio Babbino Caro”, uma ópera de Giacomo Puccini, ao qual foi recebida com fervor pelo público.
No terceiro e último ato, o cenário se transformou em uma animada discoteca, e hits como “Ai Ai Ai” e “I Feel Love”, de Donna Summer, chamaram a plateia para dançar. “Maria Sem Vergonha” trouxe críticas sociais atuais, mostrando a luta feminista presente em suas composições, especialmente em “Todas Elas”.
“O feminismo é vital para mim, devido às situações que vivi dentro da minha família”, explicou a cantora, enfatizando a relevância do tema em suas apresentações.
Em um momento de emoção, no bis, Vanessa homenageou Gal Costa, falecida em 2022, ao interpretar “Nada Mais”, adaptada por Ronaldo Bastos. O show, com direção de Jorge Farjalla, também contou com a expertise do seu preparador vocal, fundamentando a excelência de suas performances.
A preparação vocal, que Vanessa trabalhou para o musical “Clara Nunes – A Tal Guerreira”, elevou, segundo a artista, sua capacidade de atuação no palco, tornando esse momento um dos melhores de sua carreira.











