
Conforme informações publicadas pela Folha de São Paulo, os advogados que representam Camisotti, Átila Machado e Celso Vilardi, estão em contato para formalizar o acordo, embora não tenham se pronunciado publicamente sobre o assunto.
Fraudes no INSS
Camisotti foi detido na mesma fase da Operação Sem Desconto que resultou na prisão de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. As investigações revelam um esquema de descontos ilegais aplicados sobre aposentadorias e pensões, realizados sem o consentimento dos beneficiários.
A operação ganhou notoriedade em abril do ano passado com a ação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU). As autoridades suspeitam que entidades responsáveis pelos descontos, juntamente com empresas prestadoras de serviços, atuavam como fachadas para operações de lavagem de dinheiro.
Movimentações financeiras suspeitas
Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sinalizam que empresas ligadas a Camisotti teriam recebido transferências da Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), uma das principais entidades sob investigação. Entre 2023 e 2025, o INSS destinou quase R$ 400 milhões à associação.
Os dados indicam movimentações financeiras consideradas atípicas. Entre 2018 e 2025, Camisotti realizou 17 saques, totalizando R$ 7,2 milhões, incluindo uma retirada significativa de R$ 3 milhões. Em adição, houve um saque de R$ 285 mil de uma conta vinculada ao empresário, embora o relatório não defina claramente quem realizou a operação, levantando suspeitas sobre tentativas de evasão nas fiscalizações financeiras.
Durante seu período de prisão, a defesa de Camisotti insistiu que ele não teve participação em nenhuma irregularidade relacionada ao INSS.
Desdobramentos judiciais
As investigações continuam em andamento e nesta semana houve novos desdobramentos. Sob a relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram determinadas as prisões de outros dois suspeitos e a imposição de tornozeleira eletrônica à deputada Gorete Pereira (MDB-CE), que nega as acusações de irregularidade.



