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Brasil

Síndica icônica do Edifício JK, Maria Lima, morre após longa batalha contra doença

Maria Lima das Graças, síndica do icônico Edifício JK, faleceu em Belo Horizonte nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, aos 78 anos. Desde o ano passado, ela enfrentava sérias complicações de saúde, passando por longos períodos de internação no Hospital Felício Rocho, conforme divulgado pelo advogado Faiçal Assrauy, representante do condomínio.

Maria havia sido internada em agosto de 2025 devido a uma infecção que exigiu tratamento com antibióticos. Durante sua hospitalização, circularam boatos sobre sua morte, que foram prontamente desmentidos à época. Conhecida por sua liderança no JK por cerca de quatro décadas, sua gestão teve fim em setembro de 2025, quando teve que se afastar em decorrência de problemas de saúde.

A administração do Edifício, que abriga aproximadamente 5 mil moradores, foi assumida pelo advogado Manoel Gonçalves de Freitas. Recentemente, ele foi condenado a três anos de prisão e multa de R$ 300 mil por crimes ambientais relacionados à deterioração do imóvel, um patrimônio tombado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Familiares e amigos de Maria realizam o velório neste sábado, 14 de março, a partir das 13h, no Cemitério Bosque da Esperança, localizado no bairro Jaqueline, em Belo Horizonte.

Gestão Marcada por Controvérsias

Durante sua gestão, Maria Lima das Graças se destacou à frente do Edifício JK, projetado por Oscar Niemeyer nos anos 50. Sua administração foi marcada por conflitos com moradores, além de processos judiciais e denúncias sobre a condução do condomínio. O edifício, considerado um ponto turístico de Belo Horizonte, conta com 999 apartamentos, abrigando um número de moradores equivalente ao de uma pequena cidade.

Conhecida como a “Dama de Ferro do JK”, Maria enfrentou críticas por sua falta de transparência e dificuldades em conduzir obras, especialmente após o tombamento do prédio pela prefeitura em 2022. Sua defesa argumentou que a manutenção do edifício havia sido feita na “velocidade possível” devido à situação financeira de muitos moradores.

Conflitos Judiciais

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também se envolveu na situação, movendo ações contra o Condomínio JK, a síndica e um gerente administrativo devido a falhas estruturais e questões de segurança. Em 2024, reportagens do portal O TEMPO expuseram diversas denúncias de moradores, incluindo a cobrança de uma caução de R$ 4 milhões para candidatos ao cargo de síndico, taxa considerada abusiva por especialistas.

Além disso, surgiram queixas sobre a gestão dos cerca de R$ 700 mil mensais arrecadados pelo condomínio e relatos de assédio jurídico contra aqueles que questionavam as práticas administrativas. A defesa de Maria negou qualquer irregularidade, atribuindo as acusações a rivalidades políticas internas no condomínio.

Essa situação, em meio à relevância histórica do Edifício JK, levanta questões sobre a administração de imóveis tombados e os desafios enfrentados por síndicos de condomínios grandes e complexos.

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