
A Urbia, a concessionária encarregada do Parque Ibirapuera em São Paulo, apresenta hoje (11) ao Conselho Gestor uma proposta polêmica: a criação de uma área para exercícios indoor, como musculação e crossfit, na estrutura conhecida como “Antiga Serraria”. Tradicionalmente, o local tem sido ponto de encontro para práticas como ioga e tai chi chuan. Segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo, a proposta visa modernizar o espaço, mas encontrou resistência de grupos preocupados com a conservação ambiental e histórica.
Embora a concessionária tenha afastado preocupações sobre uma possível transformação do espaço em um centro comercial, como sugerido em projetos anteriores, a movimentação contrária a essa alteração traz à tona questões delicadas sobre a preservação do patrimônio. Na última segunda-feira (9), a proposta foi retirada da pauta do Conpresp, o conselho municipal de preservação.
A estrutura da Antiga Serraria remonta aos anos 1930 e passou a fazer parte do complexo do parque nos anos 1990, sob o projeto do renomado paisagista Roberto Burle Marx. A construção, que chama atenção pela sua amplitude—com mais de cem metros de comprimento—também é foco de discussão entre os membros do Conpresp. A Urbia argumenta que a transformação não comprometerá o tombamento histórico do Ibirapuera, uma vez que a estrutura já existia antes da criação oficial do parque nos anos 1950. Entretanto, especialistas e defensores da conservação divergem, ressaltando que Burle Marx projetou a serraria como um elemento central na paisagem do parque.
Impacto Visual e Estrutural
O projeto da Urbia contempla a instalação de um mezanino que ocupará 86% da extensão do prédio, com a intenção de instalar equipamentos de academia. A proposta inclui o fechamento de 54% do espaço com vidro e o revestimento de dois vãos para abrigar vestiários. Essa mudança gera preocupações quanto à estética e funcionalidade do espaço. Cássia Mariano, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, expressa críticas, afirmando: “Qualquer intervenção que comprometa a transposição física do espaço descaracteriza o projeto de Burle Marx”.
Exploração Comercial e Sustentabilidade
Outro aspecto controverso é a intenção de permitir a exploração comercial do novo espaço. Samuel Lloyd, diretor da Urbia, defende que este tipo de exploração é essencial para viabilizar a manutenção do parque e cita um exemplo semelhante: a Casa Nubank Ultravioleta, um espaço reservado para clientes do banco que se localiza nas proximidades do portão sete do parque. A reforma da Antiga Serraria, que inclui melhorias já realizadas como a requalificação da praça de Burle Marx, é estimada em R$ 35 milhões.
Lloyd afirma que as adaptações propostas não afetarão negativamente a arquitetura original. Ele alega que o plano atual é significativamente melhor em termos de preservação em comparação com proposições anteriores que foram rejeitadas por órgãos de preservação. Vale ressaltar que o Parque Ibirapuera é tombado municipal, estadual e federal.
Sylvia Mielnik, membro do Conselho Gestor, salienta que a crescente exploração comercial pode comprometer os princípios de preservação ambiental e bem-estar que deveriam prevalecer no parque. “A serraria está situada na zona ambiental do parque, onde devem prevalecer diretrizes de preservação e baixa interferência”, conclui Mielnik.











