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Brasil

Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, recebe R$ 1 milhão mensalmente e morre sob custódia

A morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, desperta questionamentos sobre os eventos que cercaram sua trajetória. Com 43 anos e vinculado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, Mourão foi preso em 4 de março de 2026, durante a terceira fase da operação Compliance Zero. Sua morte foi confirmada no dia 6 de março, por meio de informações divulgadas por sua defesa.

Segundo a Polícia Federal (PF), Mourão estava sob custódia na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais quando, conforme relata a corporação, “atentou contra a própria vida”. Em uma nota à imprensa publicada às 16h55 do dia 4 de março, a PF afirmou que ele foi encaminhado a um hospital, sem detalhar as circunstâncias do incidente.

Na mesma data, circularam notícias sobre a possibilidade de morte cerebral de Mourão. As informações que circularam incluem:

  • Polícia Federal – às 22h do dia 4 de março, a PF não confirmou as notícias sobre a morte do funcionário de Vorcaro;
  • Defesa de Mourão – enviou um comunicado ressaltando que seu estado de saúde era grave, mas negou a confirmação de morte cerebral, mencionando um “desencontro” de informações;
  • Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais – esclareceu que não poderia divulgar detalhes sobre o caso, citando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): “A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em consonância com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), informa que, em conformidade com a LGPD, não pode disponibilizar qualquer dado individualizado que diz respeito à privacidade do paciente.”

O advogado de Mourão, Robson Lucas da Silva, enfatizou que a abertura do protocolo de morte encefálica depende de alterações clínicas, não confirmando a condição de Mourão para tal abertura até o momento.

QUEM É O SICÁRIO

Luiz Phillipi Mourão fazia parte do “núcleo de intimidação” relacionado a adversários de Daniel Vorcaro, segundo a PF. A decisão que autorizou a operação Compliance Zero, proferida pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, destaca interações entre Mourão e o banqueiro que podem ser vistas como intimidações:

  • Ameaça a jornalista – Vorcaro comentou sobre o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, dizendo que era necessário colocar alguém para monitorá-lo. Mourão respondeu que “faria isso”. Vorcaro ainda manifestou vontade de “dar um pau” no profissional;
  • Ameaça a uma funcionária – Vorcaro mencionou ter sido ameaçado por uma empregada e afirmou que era necessário “moer essa vagabunda”, perguntando a Mourão o que deveria ser feito. O banqueiro sugeriu que Mourão “puxasse o endereço”.

Conforme o despacho do ministro Mendonça, Mourão tinha relação direta com Vorcaro e recebia R$ 1 milhão por mês pelos seus “serviços ilícitos”, realizados com a ajuda de Fabiano Zettel, que também foi preso na mesma operação. Mourão era responsável por monitorar adversários e acessar dados confidenciais de órgãos públicos, além de coordenar um grupo temido chamado “A Turma”.

O termo sicário tem origem no latim sicarius, referindo-se a assassinos de aluguel. Essa palavra remete à lei promulgada pelo general romano Lúcio Cornéio Sula, conhecida como Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiis, que visava punir tais crimes. Atualmente, a expressão é frequentemente associada a matadores de aluguel, especialmente no contexto do narcotráfico no México, e ganhou notoriedade com o filme Sicario: Terra de Ninguém.

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