Anac notifica Portela por uso de drone tripulado durante desfile de carnaval

A Anac notifica a Portela por uso de drone tripulado no desfile
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) notificou a escola de samba Portela e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) devido ao uso de um drone tripulado durante o desfile do Carnaval. O fato ocorreu na comissão de frente da agremiação, no Sambódromo do Rio, onde um membro do grupo cênico sobrevoou por 40 segundos sobre um tripé alegórico e os demais bailarinos. De acordo com informações publicadas pela CNN Brasil, o equipamento fez quatro voos durante a apresentação e a Portela tem um prazo de dez dias para responder à notificação.
Drone e regulamentação da Anac
Conforme a Anac, o transporte de pessoas em drones é "expressamente proibido" pela regulamentação vigente. A agência exige informações sobre o modelo do drone, número de série e comprovação de registro junto ao órgão, assim como os dados do piloto remoto. A operação de drones no Brasil é regida pelo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil 94 (RBAC-E nº 94), que estabelece restrições rigorosas para a segurança de voos.
A Anac também destacou que a prática de sobrevoo acarreta "risco de acidentes, inclusive fatais", principalmente quando vidas estão em jogo. A escola de samba, até o fechamento deste texto, não havia se manifestado sobre a situação.
O "superdrone" e sua função no desfile
O equipamento utilizado pela Portela, descrito como um "superdrone", possui potência superior aos modelos convencionais e pode operar por intervalos de voos de até cinco minutos, após o que o dispositivo e o artista retornavam ao ponto de partida para recarga das baterias. A coreografia da comissão de frente, que ocorreu em frente aos jurados, contou com a performance do drone, que possui oito hélices e foi pieza chave na execução teatral da apresentação.
O bailarino que voou representou o Negrinho do Pastoreio, personagem emblemático da cultura gaúcha, simbolizando uma "libertação" durante o voo. O enredo da Portela explorou a negritude no Rio Grande do Sul e elementos de resistência cultural, incluindo a figura de Príncipe Custódio, um respeitado líder religioso da comunidade candomblecista em Porto Alegre.
Temática e tradição
A narrativa apresentada pela escola nos levou a retratar a figura do Negrinho do Pastoreio, que, na lenda, enfrenta duras provações enquanto é responsável por cuidar de cavalos em uma fazenda. A liberdade do personagem é um retrato das lutas e sua libertação é uma crítica à violência enfrentada durante o período escravagista no Sul do Brasil.
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