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Internacional

EUA acusam China de teste nuclear secreto e pedem novo tratado de armas

Os Estados Unidos acusaram a China nesta sexta-feira (6) de conduzir um teste nuclear secreto em 2020. A declaração ocorreu durante uma conferência global sobre desarmamento, onde representantes americanos propuseram um novo tratado de controle de armas que incluísse não apenas a Rússia, mas também a China.

As acusações intensificam a tensão entre Washington e Pequim em um momento condicionante para o controle de armas nucleares. A declaração veio um dia após a expiração do tratado que limitava o posicionamento de ogivas e mísseis nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia.

O subsecretário de Estado dos EUA para Controle de Armas e Segurança Internacional, Thomas DiNanno, afirmou: “O governo dos EUA está ciente de que a China realizou testes com explosivos nucleares, incluindo a preparação para testes com rendimentos na casa das centenas de toneladas.”

DiNanno também mencionou que o Exército chinês teria disfarçado essas explosões nucleares em suas atividades. Segundo ele, a China utilizou o “desacoplamento”, técnica que reduz a eficácia de monitoramento sísmico, para encobrir seus testes.

O embaixador da China para o desarmamento, Shen Jian, não respondeu diretamente às acusações, mas ressaltou que Pequim atua sempre de forma prudente e responsável nas questões nucleares. “Os EUA continuam valorizando exageradamente a ameaça nuclear chinesa e a China se opõe a essas afirmações falsas”, afirmou.

Diplomatas presentes na conferência expressaram que as alegações dos EUA são novas e preocupantes, especialmente considerando o atual estado do controle global de armas.

Desarmamento Nuclear em Ponto Crítico

A expiração do Tratado Novo START, assinado em 2010, deixou os EUA e a Rússia sem quaisquer restrições vinculativas sobre seus arsenais nucleares pela primeira vez em mais de cinquenta anos.

Durante a conferência, DiNanno disse: “Estamos enfrentando ameaças de múltiplas potências nucleares. Um tratado bilateral com apenas uma potência é inadequado”. Ele reiterou ainda que as projeções dos EUA indicam que a China pode possuir mais de mil ogivas nucleares até 2030.

Por outro lado, o representante chinês afirmou que seu país não participará de novas negociações com os EUA e a Rússia neste momento, destacando que sua quantidade de ogivas (cerca de 600) é bem inferior à dos Estados Unidos e Rússia, que possuem aproximadamente 4.000 cada.

“Esperamos que os EUA abandonem a mentalidade da Guerra Fria”, expressou Shen, enfatizando a necessidade de uma abordagem de segurança comum e cooperativa.

Consequências do Novo START e o Vácuo no Controle de Armas

A falta de um novo tratado pós-Novo START resulta em um vácuo no controle de armas, situação sem precedentes desde 1972. Desde a era da Guerra Fria, tratados de limitação de armas têm sido vistos como essenciais para evitar mal-entendidos que poderiam levar a conflitos nucleares.

A ausência de um entendimento formal pode tornar o cenário mais perigoso, com um aumento nos riscos de erros de cálculo entre EUA e Rússia. Ambos os países poderiam sentir a necessidade de expandir seus arsenais, especialmente com a crescente capacidade militar da China.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou está aberta ao diálogo com os Estados Unidos, embora ressalte a necessidade de envolver também os aliados nucleares da OTAN nas discussões, algo que foi rejeitado por esses países.

No mesmo fórum em Genebra, o Reino Unido fez um apelo por uma nova era de controle de armas que incluísse todos os principais países possuidores de armas nucleares, enquanto a França enfatizou a necessidade de negociações entre as potências nucleares para enfrentar a atual fragilidade nas normas nucleares existentes.

A complexidade de negociar novos acordos de controle de armas é profunda, especialmente em um contexto internacional marcado por tensões relacionadas à Ucrânia e outras regiões críticas.

Analistas de segurança apontam que se um novo tratado não for alcançado em breve, a insegurança crescente poderá levar a debates em países como Japão e Coreia do Sul sobre a possibilidade de se tornarem potências nucleares.

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