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Meio Ambiente

Chuvas abaixo da média persistem e agravam seca em São Paulo

A região metropolitana de São Paulo enfrenta uma média de chuvas abaixo do histórico para janeiro, com previsão de continuidade dessa tendência ao longo do primeiro trimestre de 2025. A exceção é a estação de medição do Mirante de Santana, que já superou a média para este mês.

A diminuição das chuvas está relacionada à dificuldade de avanço de frentes frias e à umidade proveniente do Atlântico e da Amazônia, influenciadas pela persistência do fenômeno La Niña no Oceano Pacífico. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou que a seca no estado se agravou, classificando várias áreas em condição de seca severa ou extrema desde janeiro, exceto o norte da região. Segundo o Inmet, 2025 já é considerado um ano seco, uma vez que as chuvas de verão não reabasteceram adequadamente o solo.

“No primeiro trimestre, esperam-se chuvas abaixo da média em toda a região metropolitana”, afirmou o meteorologista Leydson Dantas. Ele sugeriu que há a possibilidade de melhoria a partir do segundo semestre, com uma chance de 75% de enfraquecimento do fenômeno, conforme o National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa). Enquanto isso, a Região Sul do Brasil deve enfrentar um aumento significativo nas chuvas.

Impactos da Escassez Hídrica

A escassez de água já provoca impactos em várias regiões do estado, conforme dados da Agência Nacional de Águas (ANA). Os reservatórios que abastecem a capital e a região metropolitana estão em níveis críticos. Em 16 de janeiro, o Sistema Integrado Metropolitano monitorado pela Sabesp registrava 27,7% de sua capacidade, um volume similar ao de janeiro de 2016, quando se recuperava de uma seca histórica.

A situação é particularmente preocupante no sistema Cantareira, que, com 19,39% de seus reservatórios, é responsável por mais de 40% do abastecimento da região. O reservatório de Jaguari-Jacareí detém cerca de 85% do Cantareira, com apenas 16,89% de sua capacidade.

A Sabesp está aumentando a captação de água, incluindo a do Rio Itapanhaú, e investindo na modernização de equipamentos. No entanto, a companhia indica que o abastecimento noturno foi reduzido ou interrompido desde o final de agosto de 2025.

Segundo a Sabesp, “a disponibilidade hídrica per capita é extremamente baixa, em torno de 149 m³ por habitante ao ano, comparável a regiões semiáridas”. A empresa também afirma que 2025 foi marcado por uma das piores estiagens em 10 anos, com chuvas entre 40% e 70% abaixo da média.

Monitoramento e Gestão Hídrica

A ANA divulgou nesta sexta-feira um mapa do Monitor de Secas que detalha a situação em todo o Brasil. Regiões do Nordeste, norte de Minas Gerais e Goiás apresentaram condições críticas, enquanto o noroeste de São Paulo e sul de Minas Gerais estão sob seca severa.

As áreas da Região Sudeste, incluindo partes de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, também registraram aumento nas secas grave e moderada. Por outro lado, áreas do estado de São Paulo, como o oeste e centro-norte, mostraram melhora nas condições meteorológicas.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) acompanha constantemente a situação hídrica. “O cenário atual requer atenção, guiando-se por protocolos preventivos estabelecidos no Plano Estadual de Segurança Hídrica”, declarou a agência.

A gestão do Sistema Cantareira é realizada conforme normas conjuntas da ANA e da SP Águas, que monitoram os níveis e vazões para tomar decisões operativas. A ANA já aplicou reduções graduais na retirada de água do sistema desde outubro de 2025, seguindo as diretrizes estabelecidas após a crise hídrica de 2014/2015.

“Caso o Sistema passe a operar em níveis críticos, novas medidas de restrição de retirada de água serão implementadas conforme necessário”, complementou a ANA.

A situação em outras regiões do Brasil, como o Nordeste, também está sendo monitorada de perto, buscando articular medidas preventivas e gerenciais a fim de minimizar os impactos da seca.

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