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Nacional

Motorista de app é detido por extorsão contra delegada da PF

Um motorista de aplicativo foi detido no aeroporto de Brasília após ser acusado de extorquir uma delegada da Polícia Federal na última quinta-feira (8). O incidente ocorreu após a delegada Dominique de Castro esquecer um notebook em seu veículo durante um trajeto solicitado da zona hoteleira até o aeroporto.

A delegada contratou o serviço da Uber e, após perceber a falta do equipamento, enviou uma notificação ao motorista, Pedro Herick da Costa, apenas dois minutos após o término da corrida. Para facilitar a devolução, ela pagou uma taxa de R$ 33, padrão para situações semelhantes. Contudo, posteriormente, o motorista comunicou que exigiria R$ 50 ou 5% do valor do notebook, proposta que a delegada negou.

Mensagens trocadas entre eles indicam que Herick citou um trecho do Código Civil, sugerindo que ele teria direito a uma recompensa ou a 5% do valor do item extraviado. A delegada, em depoimento à PF, afirmou que se sentiu ameaçada após o motorista dizer que, ao saber da origem do notebook, o preço da devolução aumentaria, além de solicitar um pagamento extra para que ela pudesse reaver o que havia esquecido.

Após a comunicação com a PF, a delegada dirigiu-se à delegacia interna do aeroporto para registrar a ocorrência. Durante um encontro marcado para a devolução do item, o motorista foi abordado e detido por agentes federais, conforme imagens obtidas pela CNN Brasil.

Os policiais relataram que o motorista demonstrou nervosismo e tentou evitar a abordagem. Ele foi encaminhado à Superintendência da PF para esclarecimentos. Em seu depoimento, Herick alegou que a cobrança pelo deslocamento estava dentro de suas prerrogativas, enquanto a CNN Brasil reportou que a taxa de devolução da Uber se aplica quando não há entendimento entre o motorista e o passageiro.

A PF prossegue com a investigação do caso, que incluiu a análise de depoimentos, mensagens e gravações. Embora tenha sido detido, o motorista não foi preso e foi liberado posteriormente. A Uber não se pronunciou sobre o ocorrido, mas foi informado que o motorista foi temporariamente banido da plataforma após o incidente, retornando após fornecer gravações e declarações à empresa.

A delegada não fez comentários públicos sobre a situação, e a defesa do motorista não foi localizada. A Associação Nacional dos Delegados da PF emitiu uma nota a respeito do caso, afirmando que a relação entre a delegada e o motorista foi meramente de consumidor e prestador de serviço, e questionou a aplicação do Código Civil, destacando que as normas da plataforma vigente devem prevalecer.

A nota conclui que motoristas de aplicativo não devem cobrar taxas sobre itens perdidos, reitera a importância de seguir as regras da empresa e expressa preocupação com a situação em que motoristas possam exigir recompensas indevidas por objetos esquecidos em seus veículos.

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