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Concursos

Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em embate digital sobre inteligência artificial e privatizações

As propostas sobre o uso de inteligência artificial (IA), reforma administrativa, política de reajuste salarial, concursos públicos e privatizações estão no centro da disputa acirrada entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026. Essas questões, essenciais para a administração pública, desencadeiam confrontos diretos nas redes sociais entre a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, e Daniella Marques, porta-voz econômica da candidatura de Flávio.

Conforme reportado pela Folha de S.Paulo, o embate se intensificou após Daniella Marques sugerir a substituição de servidores públicos das áreas administrativa e operacional por tecnologia de IA, visando aumentar a eficiência da administração brasileira. Em resposta, a ministra Dweck iniciou a divulgação de vídeos com o objetivo de contestar as afirmações de Marques, que atuou diretamente com Paulo Guedes, ex-ministro da Economia durante o governo Jair Bolsonaro.

Uso de Inteligência Artificial no Serviço Público

Em um evento promovido pelo Lide, em agosto, Daniella afirmou que a substituição de carreiras poderia resultar em uma significativa redução de gastos. Ela destacou que o custo para manter cerca de 12 milhões de servidores é de aproximadamente R$ 50 bilhões anuais. Após o primeiro turno das eleições, Daniella se dirigiu diretamente aos servidores em um vídeo, ressaltando a intenção de garantir uma máquina pública eficaz, sem mudanças nas regras de estabilidade.

Lula, através de Esther Dweck, expressou preocupações sobre a ideia de substituir trabalhadores por IA. A ministra argumenta que, embora a tecnologia possa ser uma aliada em certas funções, não pode substituir a presença humana em processos críticos, como vacinas, onde a responsabilidade pelo erro recai sobre o governo e não sobre a máquina.

Reforma Administrativa e Privatizações

A equipe de Lula alega que já está implementando uma reforma administrativa desde o início de seu mandato, sem a intenção de enviar uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ao Congresso. Por outro lado, a candidatura de Flávio apresenta a necessidade de retomar discussões anteriores sobre reformas, com foco na contenção de gastos e diminuição do número de ministérios. Durante o governo de Bolsonaro, a PEC 32 foi proposta, alterando estabilidade e ingresso de novos servidores, mas encontrou resistência no Legislativo.

Segundo a campanha de Flávio, a reforma administrativa proposta pode resultar em uma economia de R$ 40 bilhões por meio de cortes e digitalização. Dweck contesta essa afirmação, ressaltando que para alcançar tal economia seria necessário demitir servidores, o que não é uma solução viável.

Questões Salariais e Concursos Públicos

A abordagem de Flávio sobre salários de servidores é preservadora, evitando compromissos explícitos de reajuste. No entanto, Daniella enfatizou a importância de valorizar as carreiras estatais, prometendo maior eficiência. Já o governo de Lula se compromete a manter os reajustes, conforme previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que ainda está em fase de discussion.

Esther Dweck afirmou que o Ministério da Gestão está preparando um Concurso Nacional Unificado (CNU) para 2027, buscando evitar longos períodos sem recrutamento, enquanto a campanha de Flávio prioriza concursos para "carreiras típicas de Estado", mantendo a flexibilidade de acordo com as demandas de atendimento ao público.

Privatizações sob Debate

Flávio Bolsonaro sinalizou sua intenção de reinstituir o Programa Nacional de Desestatização (PND), com a possibilidade de privatizar diversas empresas estatais. Ele defende a avaliação criteriosa de casos, garantindo que privatizações ocorram onde a presença do Estado não seja mais necessária. Por sua vez, Lula e sua equipe são categoricamente contra a privatização e defendem que estatais como Serpro e Dataprev, que detêm dados sensíveis da população, não devem ser vendidas.

As propostas divergentes de Lula e Flávio Bolsonaro — e os embates entre suas equipes — revelam um cenário acirrado nas eleições de 2026, estabelecendo claramente os caminhos que cada candidato deseja seguir para o futuro da administração pública no Brasil.

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