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SP

Famílias da favela Nova Kampala resistem a desocupação e enfrentam conflitos com CDHU

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A favela Nova Kampala, localizada no bairro da Penha, na zona leste de São Paulo, enfrenta uma nova fase de desocupação. Fundada na década de 2000, a comunidade passou por um processo de desocupação em 2010, mas retornou a se formar quatro anos depois. Atualmente, cerca de 1,2 mil famílias já foram removidas para dar lugar à construção da nova estação do metrô, chamada Gabriela Mistral.

Desocupação e Construção do Metrô

Conforme reportado pela Folha de S.Paulo, a área ocupada será parte da expansão da linha 2-verde do metrô de São Paulo, que prevê uma extensão total de 6,2 km e cinco novas estações. A entrega deste trecho está programada para a próxima década. No entanto, a remoção de cerca de 1,8 mil famílias da favela tem gerado intenso conflito com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que é a responsável pela desocupação do terreno.

Atualmente, aproximadamente 600 famílias se recusam a deixar suas casas, mesmo diante das ofertas da CDHU, que propõe R$ 2.400 para mudança e um auxílio-aluguel mensal de R$ 800. A empresa destaca a existência de um mandado de reintegração de posse, que autoriza essas remoções, e afirma estar buscando uma solução amigável.

Condições de Moradia e Conflito

Os moradores relataram que a CDHU utiliza "ameaças e intimidação" para forçá-los a desocupar. Em uma visita recente, a Folha de S.Paulo encontrou servidores da CDHU abordando as famílias, que reagiram de forma hostil. A comerciante Josefa dos Santos Fontes declarou: "Estamos vivendo um momento de guerra aqui", enfatizando as tensões entre a comunidade e as autoridades.

Josefa, que investiu R$ 80 mil em sua casa e comércio, enfatizou que não irá deixar o local sem garantir uma solução satisfatória. A dona de casa Marisalva da Silva também expressou sua insatisfação com as propostas da CDHU, que considera inadequadas. Para ela, as ofertas não correspondem às realidades financeiras de muitos moradores que, segundo ela, não têm condições de assumir dívidas de longo prazo.

Demolições e Consequências Ambientais

De acordo com a versão da CDHU, as condições da Nova Kampala são "impróprias para moradia", citando contaminação do solo e riscos estruturais. Após as demolições, a área enfrenta problemas como acúmulo de lixo e entulho, que, segundo os moradores, atraem animais e pioram as condições de vida.

Além de brasileiros, a Nova Kampala abriga uma população significativa de imigrantes de países como Peru, Bolívia e Haiti, que também enfrentam dificuldades para se adaptar às novas propostas habitacionais.

Expansão da Linha 2-Verde

A nova estação Gabriela Mistral, parte da segunda fase de prolongamento da linha 2-verde, promete grande impacto no transporte público da região. A estação deverá integrar diversos ramais do metrô e é projetada para lidar com um fluxo diário de até 100 mil passageiros. O plano de expansão, iniciado em 2020, deve conectar a linha 2 a outras linhas metroferroviárias e está previsto para ser concluído entre 2027 e 2028.

A CDHU assegura que, após a limpeza e desocupação do terreno, a área abrigará novos conjuntos habitacionais, visando solucionar parte das demandas habitacionais da população alvo da desocupação.

Esta nova fase de desocupação da comunidade Nova Kampala ressalta a complexidade da questão habitacional em São Paulo e o embate entre as necessidades de infraestrutura urbana e os direitos de moradia dos cidadãos.

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