
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se apresenta como pré-candidato à reeleição, fez declarações contundentes em um evento realizado em Belo Horizonte, onde reafirmou sua posição sobre a soberania nacional. Em discurso durante o evento Mulheres com Lula, no último sábado (29), o presidente declarou que, enquanto estiver à frente do governo, “nenhum governo estrangeiro vai meter o bedelho neste país”. Essa afirmação reflete as intenções de Lula durante a campanha de reeleição, destacando a importância de uma política externa independente.
Além da soberania, Lula abordou em sua fala o compromisso com a educação, propondo investimentos significativos na área. Ele mencionou objetivos como aumentar a oferta de escolas em tempo integral no país e melhorar a formação em disciplinas como matemática, inteligência artificial e engenharia digital. “Nós queremos exportar conhecimento e inteligência”, disse Lula, enfatizando que ao final de seu mandato, espera que o Brasil seja considerado um país desenvolvido, sem dever nada a outras nações.
Lula também se comprometeu a promover a luta contra a violência de gênero e a feminicídios. O presidente destacou a responsabilidade de transformar o Brasil em um país onde o feminicídio pertença ao passado. Segundo ele, a criação de políticas eficazes e o Pacto Nacional contra o Feminicídio, que visa a articulação entre os três Poderes para enfrentar a violência contra as mulheres, são fundamentais. Lula argumentou que as mulheres devem ter o direito de escolher suas vidas e profissões, livre de violência.
O discurso também incluiu avanços já promovidos por seu governo, como a redução do tempo necessário para que mulheres obtenham medidas protetivas em casos de violência doméstica, que atualmente leva no máximo três dias, ao contrário dos 16 dias de espera anteriores. Lula anunciou a criação de 13 Casas da Mulher Brasileira e 14 centros de referência, além da aquisição de contraceptivos e a inauguração de hospitais voltados para a saúde da mulher.
Lula ainda destacou que 38% dos cargos de gestão em seu governo são ocupados por mulheres, uma elevação em relação ao governo anterior. No entanto, ele defendeu a necessidade de se chegar a 50% de presença feminina, convocando o público a votar em mulheres e a promover uma maior inclusão feminina na política.
O evento teve a presença de diversas candidatas ao Senado, ministras e figuras políticas, refletindo uma plataforma focada no empoderamento feminino e na igualdade de gênero. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, assinalou que 80 leis foram sancionadas em defesa das mulheres durante o governo Lula, e o serviço de denúncias de violência, Ligue 180, atendeu mais de um milhão de pessoas em 2025.
Em meio a seu discurso, Lula acabou confundindo o nome de sua falecida esposa, Marisa Letícia, ao chamar sua atual companheira, Rosângela Silva, de “Janja”, gerando uma breve reação do público, que o alertou do erro.
Patrus Ananias, deputado federal e candidato a governador de Minas Gerais, também participou do evento e prometeu ampliar as redes de proteção para mulheres no estado, destacando Minas Gerais como um dos estados com maiores índices de feminicídio no Brasil. Ele afirmou que, se eleito, criará uma política e uma polícia voltadas ao enfrentamento da violência de gênero, além de homenagear sua falecida esposa durante sua fala.
O evento, que durou cerca de quatro horas, enfatizou a realização de políticas voltadas para a promoção da mulher e seu papel na sociedade, em um esforço claro de mobilizar apoio feminino nas eleições de 2026.











