
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda em campanha para a reeleição, participou na quinta-feira de uma série de sabatinas promovida pela TV Globo com presidenciáveis. Lula foi o quarto entrevistado no ciclo de entrevistas e, durante o encontro, enfrentou questionamentos sobre as investigações que envolvem seu filho, Fábio Luis Lula da Silva, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. A série de sabatinas teve início na segunda-feira, com outros candidatos já tendo participado.
Ao ser indagado sobre as suspeitas que circundam seu filho e o ex-assessor, Lula refutou as acusações, alegando que se tratam apenas de “ilacionais”. O presidente declarou: “Não tem nenhuma acusação. São ilações, ilações e ilações criadas de telefonemas. Eu conheço isso muito bem porque já vivi isso”. Lula enfatizou que, se o filho tivesse praticado qualquer ilícito, ele deveria arcar com as consequências, afirmando que não se moveria para acobertar a situação.
Em resposta a questionamentos sobre mensagens entre Fábio e a lobista Roberta Luchsinger, Lula afirmou que o filho provará sua inocência e descreveu as acusações como “imbecilidades”. O presidente também se manifestou sobre as alegações de que teria oferecido um cargo a Luchsinger, reforçando que não a conhece e que nunca teve contato com ela.
Lula também foi questionado sobre o envolvimento de Marcola no caso relacionado à lobista, cuja parceria levantou suspeitas sobre a administração. Ele reconheceu que a ligação do ex-chefe de gabinete gera desconfiança, mas defendeu que seu papel era encaminhar questões ao ministério. Além disso, ao tratar da relação de Marcola com a lobista, o presidente destacou que o aliado cometera um erro ao aceitar pagamento de despesas da lobista.
A sabatina abordou ainda outras questões, como o escândalo de fraudes no INSS, no qual Lula afirmou que o governo já devolveu R$ 3,5 bilhões e não houve aposentado prejudicado. Ele criticou as investigações da Operação Lava Jato, afirmando que essas eram baseadas em mentiras.
No campo da segurança pública, Lula destacou a responsabilidade dos estados e defendeu mudanças na legislação. Ele propôs a criação de um Ministério da Segurança Pública para melhor articulação e combate ao crime organizado. Isto foi em resposta aos aumentos de violência em diversas regiões e ao impacto histórico da constituição de 1988 na divisão de responsabilidades entre os entes federativos.
Sobre a necessidade de um ajuste fiscal, Lula argumentou que o crescimento da dívida pública não é uma preocupação imediata, citando o exemplo dos Estados Unidos e sua própria história econômica. Também mencionou as dificuldades enfrentadas pelas estatais como os Correios, destacando que medidas de adaptação serão necessárias para resgatar a eficiência na entrega de serviços.
Em termos de desempenho eleitoral, Lula se mostrou otimista. De acordo com a última pesquisa do instituto Quaest, ele liderava as intenções de voto com 38%, seguido pelo seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), que registrou 31%. Os candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) apareciam com 4%, enquanto Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) somaram 2%.
O ciclo de sabatinas continua com a participação de outros candidatos ao longo da semana, conforme a corrida presidencial avança para as eleições de 2026, marcada por polêmicas e expectativas sobre as estratégias adotadas pelos postulantes.











