A Voepass burlou regras de segurança aérea, segundo o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado em 23 de outubro de 2024. A investigação revela que a empresa simulava consertos em aeronaves com falhas técnicas para liberá-las para voos.
O documento menciona que a Voepass colocava aeronaves em operação “sem a efetiva correção da pane, mascarando seu caráter crônico e postergando sua resolução definitiva.” Isso significa que problemas não eram realmente resolvidos, mas apenas temporariamente registrados.
O voo 2283 da Voepass, que caiu em agosto de 2024, resultou na morte de 62 pessoas, entre passageiros e tripulantes.
O relatório do Cenipa detalhou que a prática de renovação sucessiva do item de Manutenção, Equipamento e Limitantes (MEL) sem a devida correção da pane levando à liberação das aeronaves contribuía para um ambiente de negligência em segurança, culminando assim em incidentes trágicos.
A aeronave não deveria ter decolado, afirma o relatório. A investigação revelou que o sistema Airframe De-Icing, crucial para evitar acúmulo de gelo, estava inoperante. Nessas circunstâncias, a decolagem era considerada insegura, especialmente em condições propícias à formação de gelo.
O ATR-72, que operava na rota Cascavel (PR) – Guarulhos (SP), encontrou situações severas de gelo durante o voo, resultando em perda de controle e queda em uma área residencial em Vinhedo. No trágico acidente, 58 passageiros e quatro tripulantes perderam a vida.
Em resposta, a Voepass afirmou que tem colaborado de forma transparente com o Cenipa e autoridades públicas desde o início das investigações, comprometendo-se a estar à disposição para todos os esclarecimentos necessários.
Nota na íntegra – Voepass:
A tragédia do voo 2283 em 9 de agosto de 2024, representa um dos momentos mais desafiadores da história da Voepass. A companhia expressa suas condolências às famílias das vítimas e reafirma seu compromisso com a segurança.
Com mais de 30 anos de operação na aviação brasileira, a Voepass mantém um histórico de segurança, tendo sempre adotado práticas rigorosas e certificações internacionais, como a IOSA desde 2012.
A tripulação do voo 2283 era altamente capacitada, com mais de 5.000 horas de voo, e com treinamento técnico e suporte médico em plena conformidade com os padrões estabelecidos.
A empresa reafirma que sempre atuou de acordo com princípios de segurança internacionais.
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