Venezuelanos têm atravessado a ponte internacional Simón Bolívar, que liga a Venezuela à Colômbia, em busca de alimentos e medicamentos. Os relatos indicam que os preços na Colômbia são mais acessíveis se comparados aos da Venezuela, onde muitos produtos, especialmente medicamentos, estão em falta.
Luciana Taddeo, correspondente na fronteira, observa um fluxo contínuo de pessoas fazendo compras em um formato de “bate e volta”. Segundo ela, “Os relatos que temos escutado é que os venezuelanos saem da Venezuela em direção à Colômbia para fazer compras, porque afirmam que os preços na Colômbia são mais baratos”.
A movimentação ocorre em um contexto de instabilidade política na Venezuela, acentuada por eventos como a captura de Nicolás Maduro e bombardeios em várias localidades, incluindo Caracas, no dia 3 de outubro. Além disso, venezuelanos têm relatado longas filas em supermercados, evidenciando preocupações com a possibilidade de desabastecimento.
Uma cidadã venezuelana mencionou estar indo à Colômbia para retirar dólares enviados por familiares que residem no exterior. De acordo com Taddeo, “O que ela relata é que está buscando dólares na Colômbia para se precaver caso algo aconteça”, revelando um clima de apreensão generalizada.
A ponte Simón Bolívar está atualmente sob vigilância militar. Apesar do anúncio do presidente colombiano Gustavo Petro sobre o envio de 30 mil soldados para a fronteira, o comandante local informou que não houve alteração no número de militares destacados e que o fluxo de pessoas permanece normal.
O governo colombiano estabeleceu um comando unificado para responder a possíveis emergências humanitárias, tendo recebido aproximadamente 3 milhões de venezuelanos nos últimos anos, parte dos cerca de 8 milhões que deixaram a Venezuela nesse período.
A grande migração de venezuelanos tem gerado novas dinâmicas sociais e econômicas nos países vizinhos. Nas comunidades, surgiram novas oportunidades de trabalho, como cuidadores de casas desabitadas e acompanhantes de idosos que permanecem sozinhos após a partida de familiares mais jovens.
Taddeo destaca que “Muitos jovens deixaram a Venezuela em busca de melhores oportunidades, e os idosos ficaram sozinhos. Como resultado, pagam cuidadores para que essas pessoas não permaneçam sozinhas e possam realizar atividades cotidianas”.
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