Ucrânia realiza ataque em refinaria na Rússia, provocando interrupções em voos
Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter interceptado mais de 500 drones ucranianos em todo o país. Crédito: AFP
Em julho, colunas de fumaça emergiram de refinarias e terminais de petróleo na Rússia, de São Petersburgo a Omsk, esta última a mais de 2.400 quilômetros da linha de frente do conflito com a Ucrânia. Os ataques de drones ucranianos atingiram alvos a distâncias inéditas, provocando um colapso sem precedentes no sistema de abastecimento russo. Mais de metade das províncias do país enfrenta filas e limitações na venda de combustíveis, enquanto o Kremlin enfrenta a necessidade de importar gasolina da Índia e restringir a exportação de diesel. Essa situação resultou em uma queda significativa na popularidade do presidente Vladimir Putin, que agora atinge um patamar mais baixo desde fevereiro de 2022. Líderes ocidentais, como o primeiro-ministro canadense Mark Carney, afirmaram que a dinâmica do conflito mudou.
Contudo, a mudança de momentum não implica um desfecho próximo da guerra. O presidente russo tem rejeitado negociações e continua a escalar o conflito. Apesar dos apelos de Donald Trump por uma paz rápida, o foco de Putin permanece no controle total da região do Donbas, mesmo com a estagnação das ofensivas a uma frente de 1.200 quilômetros, onde a superioridade numérica das forças russas é neutralizada pelos drones ucranianos.
Gideon Rachman, colunista do Financial Times, aponta que Putin enfrenta desafios estratégicos. Entre suas opções, nenhuma parece vantajosa: enviar mais tropas poderia aumentar perdas insustentáveis; atacar áreas civis, como ocorreu em Kiev recentemente, pode não alterar o cenário e acenar com a ameaça nuclear não é apoiado pela China, que aconselha cautela ao Kremlin. Medidas como provocações na região báltica ou ações de guerra híbrida também envolvem riscos consideráveis.
A crescente precisão dos ataques de drones ucranianos gerou um colapso no sistema de abastecimento russo Foto: HANDOUT
A Ucrânia, por sua vez, evoluiu em sua estratégia militar. Christian Caryl, na revista Foreign Policy, destaca que o país formou uma teoria de vitória baseada na “neutralização estratégica”. Esse modelo visa explorar as vulnerabilidades russas em vez de realizar ofensivas diretas, que resultaram em pesadas perdas. A derrota funcional da frota russa no Mar Negro, expulsa de Sebastopol, exemplifica essa abordagem, sem depender de forças navais tradicionais. A ação busca estrangular financeiramente o esforço de guerra russo e interromper as linhas de abastecimento de tropas na Crimeia.
Esse progresso só foi viável porque a Ucrânia passou de consumidora de armamentos a produtora de tecnologia militar avançada. O míssil de cruzeiro Flamingo e o drone Hornet, que utiliza inteligência artificial, ampliaram a capacidade de ataque ucraniana. O país também se prepara para produzir mísseis Patriot localmente, como parte de um esforço para aumentar a autossuficiência militar.
A transformação é notável, já que no início do conflito eram instrutores europeus que treinavam os ucranianos. Atualmente, Kiev oferece sua expertise em guerra de drones a países interessados, demonstrando uma posição de destaque no cenário militar global.
A Ucrânia, portanto, pode emergir dessa guerra não apenas sobrevivente, mas fortalecida e com experiência significativa, desafiando prognósticos iniciais de sua rápida queda após a invasão. Este novo status pode alterar substancialmente o equilíbrio de poder na Europa.
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