O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma nesta terça-feira (24) o julgamento que pode resultar na inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), por um período de até oito anos. Esta sessão ocorre um dia após Castro anunciar sua renúncia ao cargo.
A renúncia acontece em meio ao avanço de um processo na Justiça Eleitoral que investiga possíveis abusos de poder político e econômico durante as eleições de 2022. As irregularidades estão ligadas à Fundação Ceperj e à UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).
O julgamento, que teve início em novembro do ano anterior, já conta com dois votos favoráveis à cassação do mandato de Castro. A análise foi suspensa após um pedido de vista do ministro Nunes Marques. Durante a última sessão, a relatora Isabel Gallotti manifestou-se a favor da cassação de Castro e do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, além de sugerir novas eleições no estado.
Apesar de sua saída, o processo segue firme no TSE, e o Ministério Público Eleitoral continua a solicitar a aplicação da sanção de inelegibilidade. Nos bastidores, a decisão de renunciar na véspera do julgamento é considerada uma estratégia política para evitar um "vexame" público em caso de uma decisão desfavorável do tribunal.
A inelegibilidade pode ser imposta independentemente da permanência de Castro no cargo, o que mantém a preocupação sobre os desdobramentos deste caso.
A renúncia de Cláudio Castro altera o cenário político do estado. Com a vacância dos cargos de governador e vice, haverá uma eleição indireta na Alerj (Assembleia Legislativa) para a escolha de um novo chefe do Executivo. Castro, que alegou interesse em disputar uma vaga no Senado, depende do desfecho no TSE para que suas pretensões eleitorais se concretizem.
As ações em julgamento apuram um suposto esquema de contratações irregulares na Fundação Ceperj, envolvendo cerca de 27 mil cargos temporários. As investigações indicam que esses cargos teriam sido utilizados para alocar cabos eleitorais e fortalecer a campanha de reeleição de Castro em 2022.
O caso chegou ao TSE após um recurso do Ministério Público Eleitoral, que contestou uma decisão anterior do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que havia negado os pedidos de cassação.
Informações sobre o caso foram reportadas pela CNN Brasil.
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