O julgamento que poderá cassar o mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi adiado mais uma vez pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão ocorreu na última terça-feira (10) após o voto do ministro Antonio Carlos Ferreira, que se manifestou pela condenação do governador, mas foi interrompido por um pedido de vista do ministro Nunes Marques, resultando na suspensão da análise do caso. A próxima sessão está marcada para o dia 24 de março de 2026.
Conforme informações publicadas pelo Poder360, as ações que estão sendo examinadas pelo TSE envolvem acusações de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Castro e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), são investigados devido a contratações temporárias realizadas por meio da Ceperj (Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos) e da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).
O Ministério Público Eleitoral (MPE) sustenta que essas contratações foram utilizadas para beneficiar a campanha de reeleição de Castro. A apuração chegou ao TSE após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) absolver Castro em dezembro de 2024. As suspeitas levantadas se originaram durante a campanha eleitoral de 2022, quando os investigados teriam agido de forma irregular.
As discussões no TSE tiveram início em 4 de novembro de 2025, quando a então ministra relatora Isabel Gallotti já havia votado pela condenação dos acusados. A ministra, no entanto, deixou a Corte, e o julgamento passou a ser supervisionado pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, mantendo o voto anterior. Na sessão de terça-feira, Antonio Carlos Ferreira reiterou seu apoio à condenação, afirmando que as ações do governador durante a campanha eram camufladas sob a aparência de políticas públicas.
Ferreira também propôs a punição de outros envolvidos no caso, incluindo os ex-gestores Gabriel Rodrigues Lopes e Thiago Pampolha.
Em seu voto, o ministro Ferreira argumentou que havia um desvio de finalidade nas contratações, utilizando a estrutura estatal para campanhas eleitorais, em desacordo com o artigo 73 da Lei das Eleições.
A proposta de punições inclui a cassação do mandato de Cláudio Castro, inelegibilidade de Bacellar, além de multas individuais a outros envolvidos.
As investigações revelaram que a Ceperj contratou cerca de 27 mil trabalhadores, gerando indagações sobre a transparência e a legitimidade desses procedimentos. O valor gasto com contratações temporárias atingiu cerca de R$ 519 milhões, valor considerado excessivo em relação ao limite de gastos da campanha de 2022.
Após a absolvição do TRE-RJ, o MPE moveu-se para levar o caso à instância superior, resultando na análise atual no TSE.
Atualmente em seu segundo mandato, Cláudio Castro já manifestou interesse em candidatar-se ao Senado pelo Rio de Janeiro, uma vez que não pode se reeleger para o cargo de governador. A data limite para a desincompatibilização das funções, conforme as normas do TSE, está marcada para 4 de abril.
Essa situação gera incertezas sobre o futuro político de Castro e o desdobramento das investigações, que continuam a repercutir no cenário eleitoral do estado.
Para mais detalhes, veja a reportagem completa do Poder360.
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