O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (18) que não existem negociações em andamento com o Irã, ressaltando que as tentativas diplomáticas para resolver o conflito entre os dois países permanecem estagnadas.
Além disso, Trump reafirmou que o bloqueio naval imposto pelos EUA continua sem alterações.
Em suas palavras, “O bloqueio naval permanece em pleno vigor. O Estreito de Ormuz está aberto e operacional. Todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas”, publicou o presidente em suas redes sociais.
Do lado iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã, afirmou que os Estados Unidos estão tentando impor mais concessões a Teerã. Ghalibaf mencionou em um comunicado que “os americanos acreditam que uma pressão maior sobre o Irã garantirá concessões que nunca foram parte do acordo”.
O negociador iraniano também criticou os secretários americanos do Tesouro, Scott Bessent, e da Defesa, Pete Hegseth, alegando que ambos estão “muito além de sua capacidade”.
“É hora de parar de esperar que a equipe de palhaços encontre soluções para a bagunça que vocês causaram”, declarou Ghalibaf.
Recentemente, Bessent indicou que os EUA tomariam medidas contra o Irã “nunca antes vistas”. Trump também deixou claro seu intuito de aumentar a pressão econômica sobre o país persa.
Diante desse panorama, o Catar sugeriu que um possível entendimento entre Irã e Omã para gerenciar a situação no Estreito de Ormuz poderia abrir novas oportunidades para as negociações entre Washington e Teerã.
Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, comentou que um acordo nesse sentido “facilitaria muito” a retomada das conversas. Ele ainda mencionou que um convite iraniano para a participação do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) no processo é apenas uma “manobra midiática”, e que o Catar permanece aguardando uma resposta sobre a visita de uma delegação iraniana.
As tensões na região têm impactos diretos no transporte marítimo, com o tráfego de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz e Bab el-Mandeb se mantendo baixo.
Dados da MarineTraffic mostram que, nas últimas 24 horas, pelo menos sete navios comerciais transitaram pelo Estreito de Ormuz, dos quais cinco entraram no Golfo Pérsico, incluindo quatro embarcações de carga e um navio-tanque. No entanto, também duas embarcações deixaram a região rumo ao Golfo de Omã.
Em comparação, ao largo do Estreito de Bab el-Mandeb, mais de 40 navios comerciais realizaram a travessia no mesmo período. Vinte e uma embarcações entraram no Mar Vermelho, enquanto 19 seguiram para o Golfo de Aden.
Esses números são congruentes com as médias dos meses anteriores. Antes das hostilidades, aproximadamente 110 navios transitavam diariamente pelo Estreito de Ormuz.
Por fim, as questões relacionadas à interferência nos sinais de GPS continuam a ser uma preocupação na região. Tal interferência faz com que as posições reportadas pelos navios apareçam incorretas, dificultando o monitoramento do tráfego nas principais vias navegáveis.
(Com informações de Mitchell McCluskey e Alejandra Jaramillo, da CNN, e Katharine Jackson, Susan Heavey e Daphne Psaledakis, da Reuters)
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