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Trump declara Estreito de Ormuz como território dos EUA e gera tensão internacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (14) que o governo americano planeja reconhecer o Estreito de Ormuz como território dos EUA. A afirmação foi feita durante um discurso em uma base de forças de segurança no Condado de Nassau, em Nova York.

Trump comentou que essa declaração seria feita “muito em breve” e que tal medida implicaria a necessidade de enviar tropas da América para a região por um período indeterminado. Ele havia assegurado anteriormente que a guerra contra o Irã seria rápida. O presidente afirmou ainda: “Nós temos o bloqueio […] nenhum navio passa a menos que nós queiramos”.

Quase seis meses após o início do conflito entre EUA e Irã, os estoques globais de petróleo estão se esvaindo rapidamente, uma vez que o tráfego pelo Estreito de Ormuz está quase completamente interrompido. A disputa pelo controle dessa via estratégica entre as duas nações provoca preocupações no comércio de petróleo, sendo que o Irã declarou que não reabrirá o estreito completamente até que as condições que impôs sejam atendidas.

Trump reiterou que os EUA têm controle sobre o estreito, pelo qual o petróleo flui de países como Arábia Saudita e Iraque para os mercados mundiais. “Eles não têm o controle. Nós temos o controle total. Nós somos os donos daquilo, e, em algum momento, eles poderão agir de forma imprudente e acabarão sendo destruídos”, afirmou ele a repórteres.

Situação Atual no Estreito de Ormuz

A realidade, no entanto, é mais complexa do que as declarações de Trump. Estudiosos indicam que a maioria dos navios ainda hesita em navegar na área devido ao aumento da insegurança, especialmente após recentes ataques a embarcações. Especialistas mencionam que o comércio pelo estreito foi fortemente restrito e que há um clima constante de tensão entre as potências envolvidas.

O bloqueio naval dos EUA se mantém ativo, restringindo o movimento de navios de e para portos iranianos. Isso tem surtido efeitos severos na economia do Irã e fechado o estreito para o comércio marinho iraniano. Embora algum tráfego esteja ocorrendo em direção a destinos fora do Irã, os números são drasticamente inferiores aos que se viam antes do conflito, com apenas 14 embarcações cruzando o estreito recentemente, em comparação com cerca de 120 barcos diários na época anterior à guerra.

De acordo com Carl Schuster, ex-diretor do Centro de Inteligência Conjunta do Comando do Pacífico dos EUA, a desconfiabilidade das garantias americanas de segurança está levando transportadoras a evitarem a navegação pelo estreito. Recentemente, pelo menos quatro embarcações da Abu Dhabi National Oil Company foram alvo de ataques com drones e mísseis na região.

Esses ataques têm encarecido os custos de seguro das embarcações, o que desincentiva ainda mais as empresas de transporte durante a continuidade das hostilidades. Desde o início dos combates, houve relatos de danos a 54 embarcações no estreito e nas aguas adjacentes, além de três perdas totais de navios, segundo informações da UKMTO, órgão da Marinha Real Britânica.

Controle e Segurança no Estreito

A questão do controle sobre o Estreito de Ormuz continua sendo um tema debatido. Enquanto Trump alega ter domínio total sobre a região, a falta de segurança nas rotas marítimas contrasta com essa afirmação. O analista militar e coronel reformado Cedric Leighton destacou que a situação é um impasse, com nenhum dos lados conseguindo exercer controle absoluto sobre o estreito.

Analistas ressaltam que a proximidade das forças dos EUA e a capacidade do Irã de ameaçar com minas e pequenas embarcações adicionam volatilidade à segurança na área. Enquanto essa incerteza persistir, o controle e a passagem segura pelo estreito continuarão sendo questionados no cenário atual.

O desenvolvimento desse conflito tem implicações significativas não apenas para as potências diretamente envolvidas, mas também para o equilíbrio do mercado de petróleo global, aumentando a pressão sobre as rotas de comércio marítimo e a segurança energética mundial.

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