Durante uma audiência de custódia realizada por videoconferência na tarde de quinta-feira (19), o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto reiterou que não cometeu o assassinato de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, insistindo que a mesma teria tirado a própria vida.
Em seu depoimento ao juiz, o oficial afirmou: “Ela se suicidou com a minha arma no nosso apartamento no Brás, onde morávamos, no dia 18 de fevereiro. A arma foi apreendida”, complementou.
Geraldo ainda mencionou que a sua arma particular está atualmente guardada no cofre da reserva de armas do CPA-M5 (Comando de Policiamento da Área Metropolitana 5).
Questionado sobre as condições de sua prisão, o tenente-coronel confirmou que teve contato com seu advogado. “Sim, eles me autorizaram a ligar para o meu advogado”, relatou.
Descrevendo a abordagem dos policiais durante sua prisão, ele a considerou “cordial”, e detalhou o trajeto desde seu apartamento.
Embora não tenha relatado abusos físicos ou morais, o oficial expressou desconforto com a cobertura midiática do caso, mencionando que se sentiu constrangido pela presença de repórteres e jornalistas na frente da delegacia e da Corregedoria.
Durante a audiência, o tenente-coronel também falou sobre sua saúde, mencionando ser hipertenso e ter uma filha de 20 anos que depende financeiramente dele.
Ao final da sessão, a defesa do oficial solicitou o relaxamento da prisão preventiva, argumentando a “manifesta incompetência da justiça militar para essa medida”. Contudo, o juiz considerou que não houve irregularidades na condução da prisão e negou o pedido.
Geraldo enfrentou também uma segunda audiência de custódia na Justiça Comum, no Fórum Criminal da Barra Funda, onde também não foram detectadas irregularidades. O oficial permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta em 18 de fevereiro em seu apartamento no Brás, São Paulo. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como feminicídio.
Geraldo Leite Rosa Neto, marido de Gisele, foi preso e indiciado por feminicídio e fraude processual. As investigações indicam uma série de evidências que contradizem a versão do suicídio apresentada por ele, incluindo incoerências em depoimentos e a suspeita de manipulação da cena do crime.
Os investigadores notaram que o intervalo de 30 minutos entre o disparo ouvido por testemunhas e o acionamento da polícia poderia ter sido usado para esconder evidências. Os socorristas relataram anomalias na cena do crime, como a localização da arma e a ausência do projétil, levantando suspeitas de encenação.
Laudos periciais indicam que o disparo se deu de maneira incompatível com suicídio e que a vítima apresentava lesões no rosto e pescoço, sugerindo que teria sido imobilizada. Há ainda indícios que o corpo foi movimentado após o disparo.
“O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratada para representar o Tenente-Coronel GERALDO LEITE ROSA NETO, vem a público prestar esclarecimentos sobre o caso.”
“A defenderão surpreendeu-se com o cerceamento tanto na Justiça Militar quanto na Justiça Comum, considerando a manutenção da competência de ambas as jurisdições.”
“Informa ainda que, ciente dos pedidos de prisão desde 17/3, não se ocultou, e colaborou com as autoridades.”
“O escritório reafirma sua confiança nas investigações e aguarda a completa elucidação dos fatos.”
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
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