O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a continuidade do processo de concessão da Rota Agro Central, que abrange 887,6 km das BRs 070, 174 e 364, em Mato Grosso e Rondônia. A decisão foi tomada de forma unânime na quarta-feira (19) e prevê investimentos de R$ 5,995 bilhões ao longo de 30 anos, conforme informações publicadas pelo Poder 360.
O governo federal planeja realizar o leilão da concessão no dia 10 de dezembro de 2026, embora essa data esteja condicionada à publicação do edital e à incorporação dos ajustes determinados pelo TCU pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O cronograma foi apresentado pelo diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, em uma reunião em agosto.
O projeto é dividido em quatro trechos rodoviários. O primeiro segmento cobre a BR-070/MT, que vai do entroncamento com a BR-364 em Várzea Grande até a BR-174 em Cáceres (MT). O segundo trecho se estende pela BR-174/MT, entre Cáceres e Comodoro (MT). O terceiro segmento abrange a BR-364/MT, do entroncamento com a MT-235 em Sapezal até a divisa de Mato Grosso com Rondônia. Por último, o quarto trecho localiza-se na BR-364/RO, entre a divisa dos estados e o entroncamento com a BR-435, em Vilhena (RO).
Em Vilhena, a Rota Agro Central se interconecta à Rota Agro Norte, uma concessão da BR-364 que se estende até Porto Velho. Esses corredores são essenciais para o transporte de produtos agrícolas de Mato Grosso em direção aos terminais portuários da capital de Rondônia e à hidrovia do rio Madeira. A utilização dessa rota tem um impacto significativo na logística de escoamento de soja e milho, permitindo que parte da produção agrícola evite as longas distâncias até os portos do Sul e Sudeste, o que reduz custos logísticos.
Dados do Ministério dos Transportes indicam que a participação dos portos do Arco Norte nas exportações brasileiras de soja, milho e algodão aumentou de 16% em 2012 para 36% em 2022, com o volume movimentado por esses portos crescendo de cerca de 10 milhões para mais de 50 milhões de toneladas no mesmo período.
Entre os pontos analisados pelo TCU, destacou-se o impacto de futuras ferrovias no tráfego de veículos na Rota Agro Central. As projeções de demanda consideraram que a construção de ferrovias como a Ferrogrão e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) poderia reduzir a carga nas rodovias. Em consequência dessa expectativa de diminuição no tráfego, 154 km de terceiras faixas que antes eram considerados investimentos obrigatórios passaram a depender de condicionantes específicas relacionadas ao volume de veículos. Assim, as obras só seriam realizadas caso o movimento nas rodovias atingisse determinados patamares.
A evolução do projeto e seus desdobramentos são cruciais tanto para o desenvolvimento da infraestrutura rodoviária na região quanto para a facilitação do escoamento de produtos agrícolas, que tem se mostrado vital para a economia local e nacional.
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