O assassinato de Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018, revela as profundas relações entre milícias, corrupção política e violência no Brasil. Após quase oito anos de impunidade, os mandantes do crime, os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, foram condenados por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 25 de fevereiro de 2026. A justiça, embora tardia, finalmente começava a se manifestar neste caso emblemático de feminicídio político.
Segundo informações do Brasil de Fato, Marielle Franco, mulher negra, lésbica e favelada, tornou-se um alvo ao lutar contra as milícias e seus interesses. A vereadora, que se destacou por legislar sobre a concentração fundiária e os direitos dos moradores da periferia, foi uma pedra no sapato de poderosos que dominavam as comunidades cariocas.
Os irmãos Brazão, envolvidos em uma organização criminosa e conhecidos pelo domínio territorial no Rio de Janeiro, foram os responsáveis pela execução do plano que resultou na morte de Marielle. Eles utilizaram sua influência política para obstruir investigações e intimidar testemunhas, mostrando a intersecção entre crime e política em um sistema que favorece a impunidade.
A condenação dos irmãos Brazão é um triunfo para a democracia e um recado claro de que ninguém está acima da lei. O caso de Marielle destaca a urgência em desmantelar o ecossistema criminoso que opera sob a legitimidade do Estado, capturando práticas corruptas que permeiam diversos níveis de governo e ameaçam a segurança e os direitos da população.
Marielle Franco era conhecida por sua defesa incansável das políticas de regularização fundiária e justiça social, o que a converteu em um símbolo de resistência. Sua trajetória aponta para uma relação direta com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que também luta pela reforma agrária e democratização do acesso à terra. Honrar o legado de Marielle é continuar essa luta em prol de uma sociedade mais justa, tanto no campo quanto na cidade.
O assassinato de Marielle foi um claro reflexo das alianças espúrias entre o crime organizado e as instituições públicas. A atuação de personagens como o ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, que foi identificado como um dos aliados dos mandantes na ocultação de provas, ilustra a profundidade dos desafios que a sociedade brasileira enfrenta.
Além disso, escândalos recentes, como o do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, que vazou informações sigilosas, revelam a continuidade da relação entre poder político e crime, deixando um questionamento para a sociedade: até quando essa situação será tolerada?
O chamado à responsabilidade das autoridades é claro: o respeito ao voto e à democracia deve ser inabalável. O julgamento dos mandantes do crime reafirma a necessidade de transformar radicalmente as estruturas políticas do Rio de Janeiro e garantir que a justiça prevaleça. Justiça por Marielle Franco e Anderson Gomes é um compromisso inegociável com a democracia brasileira.
* Maíra do MST é vereadora da cidade do Rio de Janeiro, professora de História e doutoranda em História pela UERJ.
** Este texto repercute informações do Brasil de Fato e não necessariamente representa a linha editorial da Bastidores da Notícia.
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