Síria e Rússia acordam permanência de bases militares no território sírio
Autoridades da Síria e da Rússia firmaram um acordo que assegura a manutenção de duas importantes bases militares russas em solo sírio. A decisão foi divulgada pelo governo sírio e representa um marco nas relações entre os dois países.
Conforme o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria, “as bases militares serão transformadas em centros conjuntos de treinamento e reabilitação”, um processo que deverá ser finalizado em até três meses. Esta mudança foi relatada pela agência noticiosa estatal SANA.
O ministério destacou que esta é uma das iniciativas mais significativas desde o início das negociações, ocorridas há cerca de um ano e meio, e abre caminho para um novo capítulo nas relações sírio-russas. As instalações em Hmeimim e Tartus servirão para proteger interesses mútuos, conforme declarado pelo ministro Assad al-Shaybani, que descreveu o acordo como “histórico”, segundo informações da Agence France-Presse (AFP).
Omar Hosari, presidente da Autoridade Geral Síria para a Aviação Civil e Transporte Aéreo, complementou que o entendimento alcançado é crucial para a recuperação e reativação dos aeroportos sírios, promovendo assim a reintegração destes na aviação civil nacional. Para isso, equipes técnicas iniciarão avaliações no aeroporto de Hmeimim, visando à elaboração de um plano de reabilitação.
A base naval de Tartus tem uma longa história, funcionando desde a década de 1970, fruto de um acordo entre a União Soviética e a Síria. Já a base aérea de Hmeimim foi criada em 2015 para aumentar a presença militar russa em apoio ao regime do ex-presidente Bashar al-Assad.
Em 2017, durante um período de estreitamento das relações, Síria e Rússia assinaram um tratado que assegurou a locação das bases por 49 anos, concedendo plenos poderes operacionais às tropas russas, segundo informações da agência de notícias EFE. Após a possível queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, as bases correram o risco de ficarem fora do controle das novas autoridades sírias, levando ambos os países a negociar o futuro de suas interações militares e diplomáticas.