Os senadores Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Marcos do Val (Avante-ES) protocolaram, nesta sexta-feira (17), um recurso com o intuito de anular a deliberação que rejeitou o relatório final da CPI do Crime Organizado. A decisão da comissão, que reprovou o texto apresentado por Alessandro Vieira (MDB-SE), está na mira dos parlamentares.
Conforme reportado pela CNN Brasil, os senadores que apresentaram o recurso alegam que houve alterações na composição da comissão no dia da votação, o que comprometeu a integridade da decisão. Essas mudanças incluíram a troca de membros que estavam envolvidos na investigação.
A ação foi tomada às vésperas da votação e resultou em uma reviravolta nos votos, fazendo com que o relatório fosse rejeitado em uma votação acirrada de 6 a 4. Os senadores citam exemplos como a substituição de Jorge Kajuru (PSB-GO) por Soraya Thronicke (PSB-MS) e a troca de Sergio Moro (PL-PR) por Beto Faro (PT-PA), esta última significando a passagem de um opositor a um membro da base governista.
A oposição tinha expectativa positiva em relação ao relatório devido às propostas de indiciamento de figuras proeminentes, como os ministros do STF Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do Procurador Geral da República, Paulo Gonet, e do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
No recurso, os senadores afirmam que as manobras realizadas não foram um procedimento regular, mas sim um “evento excepcional que altera a própria identidade do colegiado.”
Os senadores sublinham que as alterações ocorreram em um momento crítico, demonstrando um “desvio de finalidade” da prerrogativa do governo. Segundo o recurso, as mudanças efetuadas formaram “um colegiado que, no momento decisório, já não espelhava de forma autêntica a distribuição política da Casa”, reforçando a crítica ao caráter artificial da recomposição.
Uma situação semelhante foi registrada durante a CPMI do INSS, onde mudanças na composição da comissão também foram utilizadas para evitar o indiciamento de Fábio Luís da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo assim, a manobra não conseguiu impedir a aprovação do requerimento em questão.
Esse episódio gerou uma discussão intensa sobre a manipulação de comissões no Congresso Nacional e inquietações sobre a transparência e a ética nas práticas legislativas. A continuidade desse debate pode impactar a forma como as investigações são conduzidas e percebidas em um cenário político já conturbado.
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