A mais recente rodada de pesquisas do instituto Quaest revela que as eleições de 2026 para o Senado podem marcar um recorde histórico na representação feminina, com 15 mulheres apresentando situação de favoritismo para uma das duas vagas em disputa em cada estado. Outras 14 candidatas foram identificadas como competitivas, abrangendo uma diversidade de espectros políticos, com nomes alinhados tanto à direita quanto à esquerda, segundo levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB).
Caso ao menos dez mulheres sejam eleitas, a proporção de representação feminina poderá igualar a obtida em 2014, quando 18,5% dos senadores eram mulheres, a maior já registrada até então com cinco senadoras eleitas. No entanto, a maior quantidade absoluta de mulheres eleitas ocorreu nas eleições de 2002 e 2010, com oito senadoras cada uma. Com a corrida eleitoral se intensificando, há a expectativa de que esse recorde seja superado em breve.
Medeiros explica que, ao longo da última década, o Senado tem adquirido um papel de destaque nas dinâmicas de poder, e os partidos têm escalado figuras proeminentes para a disputa neste ano, muitas das quais são mulheres. Ele observa que o crescimento feminino no Senado vai além de um viés ideológico, com candidaturas competitivas surgindo de diferentes correntes políticas.
Marcela Machado, doutora em Ciência Política pela UnB, acrescenta que, embora um aumento na presença feminina nas eleições seja significativo, isso não garante que as eleitas compartilhem uma agenda comum. “A presença de candidatas competitivas de diferentes partidos deve ser analisada cuidadosamente, pois a diversidade partidária não implica enunciar um propósito conjunto”, destacou.
No espectro idelógo do governo Lula, as mulheres estão posicionadas como importantes candidatas ao Senado. Destacam-se figuras como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) em São Paulo, bem como Benedita da Silva (PT) no Rio de Janeiro e Marília Campos (PT) em Minas Gerais. Do lado bolsonarista, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) no Distrito Federal e Carol De Toni (PL) em Santa Catarina são algumas das representantes que se destacam nas pesquisas.
Além dessas, novos rostos também surgem, como Janaína Riva (MDB) em Mato Grosso e Marina JHC (PSDB) em Alagoas, que almejam desafiar figuras estabelecidas dentro de suas respectivas regiões. O levantamento também inclui candidatas que não são alinhadas diretamente aos projetos do Lulismo ou do Bolsonarismo, como Roseana Sarney (MDB) e Rose de Freitas (MDB).
Medeiros observa um aumento notável na presença feminina em posições de destaque, afirmando que, antigamente, as mulheres eram frequentemente limitadas a suplências. Atualmente, elas estão encabeçando chapas, com forte representatividade em todo o país. Em contraste, Carolina Botelho, pesquisadora do INCT/SANI, observa que ainda há desafios significativos a serem superados, como a necessidade de partidos e políticos incentivarem candidaturas femininas com mais eficácia e recursos.
Botelho ressalta que, apesar da tendência de aumento na participação feminina, a representação legislativa ainda não reflete adequadamente a proporcionalidade desse grupo na sociedade. Sem incentivos substanciais, muitos potenciais candidatos permanecem excluídos dos espaços de poder, mesmo com a existência de cotas.
As tabelas a seguir apresentam o cenário eleitoral por região, conforme indicado pelas pesquisas da Quaest:
| Estado | Favoritas | Competitivas |
|---|---|---|
| São Paulo | Marina Silva (1º lugar): 14% | Simone Tebet (3º lugar): 12% |
| Rio de Janeiro | Benedita da Silva (1º lugar): 15% | – |
| Minas Gerais | Marília Campos (1º lugar): 13% | – |
| Espírito Santo | – | Rose de Freitas (3º lugar): 9% |
| Estado | Favoritas | Competitivas |
|---|---|---|
| Rio Grande do Sul | Manuela d’Ávila (1º lugar): 12% | – |
| Santa Catarina | – | Carol De Toni (3º lugar): 12% |
| Paraná | Gleisi Hoffman (2º lugar): 11% | Cristina Graeml (4º lugar): 8% |
| Estados | Favoritas | Competitivas |
|---|---|---|
| Distrito Federal | Michelle Bolsonaro (1º lugar): 26% | Erika Kokay (3º lugar): 11% |
| – | Bia Kicis (4º lugar): 11% | |
| Goiás | Gracinha Caiado (1º lugar): 21% | – |
| Mato Grosso | Janaína Riva (2º lugar): 18% | – |
| Mato Grosso do Sul | – | Soraya Thronicke (3º lugar): 11% |
| Estados | Favoritas | Competitivas |
|---|---|---|
| Roraima | Teresa Surita (1º lugar): 19% | Helena da Asatur (3º lugar): 16% |
| Rondônia | Sílvia Cristina (2º lugar): 11% | Mariana Carvalho (4º lugar): 10% |
| Amapá | Rayssa Furlan (1º lugar): 27% | – |
| Acre | – | Mara Rocha (3º lugar): 12% |
| Estados | Favoritas | Competitivas |
|---|---|---|
| Maranhão | Roseana Sarney (1º lugar): 16% | Eliziane Gama (4º lugar): 9% |
| Rio Grande do Norte | Zenaide Maia (2º lugar): 10% | Samanda de Lula (3º lugar): 8% |
| Pernambuco | Marília Arraes (1º lugar): 17% | – |
| Alagoas | – | Marina JHC (3º lugar): 15% |
| Ceará | – | Luizianne Lins (3º lugar): 13% |
Os dados demonstram um panorama onde as mulheres estão conquistando espaço nas disputas eleitorais em um movimento que pode ter implicações significativas para a política brasileira. Com uma diversidade de candidaturas e a pressão por mais representatividade, observa-se um potencial para mudanças significativas e uma possível reconfiguração nas dinâmicas de poder no Senado.
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