O dicionário de ruas da cidade de São Paulo, Dic.ruas, atualizou a informação referente ao logradouro que leva o nome Peixoto Gomide, vinculando-o a Francisco de Assis Peixoto Gomide, condenado pelo feminicídio de sua filha, Sophia Gomide. A revisão surge em meio a um projeto de lei que visa alterar oficialmente o nome da rua para honorar a vítima, que era conhecida por sua ligação com o poeta e promotor público Manuel Baptista Cepelos.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a Câmara Municipal aprovou em primeira votação o projeto que renomeará a via localizada no Jardim Paulista. A intenção é eliminar qualquer confusão em torno da homenagem, já que Francisco e seu filho compartilham o mesmo nome. Um fator pertinente nesta discussão é que o filho era amplamente reconhecido, enquanto o pai é uma figura menos conhecida da história.
O Dic.ruas havia anteriormente sugerido que o nome poderia se referir ao pai, mas a nova versão exclui essa hipótese. De acordo com pesquisadores, como Lincoln Paiva, era comum no passado a homenagem a pessoas vivas em logradouros. A norma que proíbe essa prática foi instaurada em 1934. Divergências sobre a origem do nome do logradouro geraram debates acalorados sobre a conveniência da alteração.
A Secretaria Municipal de Cultura não comentou a alteração do verbete no Dic.ruas, mas conforme o informado, “a via já tinha o nome Peixoto Gomide antes de 1906 e mapas da cidade de 1897 também registram a rua com essa denominação.” A pasta também informou que a proposta de renomeação se encontra em tramitação e aguarda a segunda votação na Câmara.
Peixoto Gomide foi um político influente, tendo assumido a presidência do estado por três vezes e eleito para o Senado de São Paulo em 1893. No fatídico dia 20 de janeiro de 1906, ele matou sua filha, Sophia, em um ato de violência motivado por seu noivado. Após o crime, Gomide cometeu suicídio.
A proposta de alteração do nome da rua é de autoria da vereadora Silvia Ferraro (PSOL) e conta com apoio de outros dez parlamentares, sendo aprovada com 33 votos favoráveis. O projeto, porém, ainda precisa passar por nova votação e receber a sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
No último dia 9, uma audiência pública convocada pelo vereador Rubinho Nunes (União) trouxe à tona críticas sobre a mudança do nome, com participantes questionando a divergência de informações históricas e o impacto financeiro que a alteração poderia ter sobre os comerciantes da região, devido à necessidade de atualização de documentos como CNPJs e alvarás.
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