Publicado em: 7 de abril de 2026
Parceria entre a operadora de transportes da cidade de São Paulo e a MWM Internacional visa converter ônibus movidos a diesel em biometano, uma alternativa para reduzir emissões na capital.
Adamo Bazani
Durante o 68º Congresso Estadual de Municípios, realizado no Anhembi, em São Paulo, a redução das emissões de poluentes por veículos automotores, especialmente no transporte coletivo, foi um dos principais tópicos em discussão. O evento, que acontece entre os dias 6 e 8 de abril de 2026, destacou um projeto inovador da operadora Sambaíba Transportes Urbanos em parceria com a MWM Internacional, que busca converter ônibus movidos a diesel para biometano.
A conversão dos ônibus faz parte da estratégia para atender à Lei Municipal de Mudanças Climáticas, que proíbe a aquisição de novos coletivos movidos a diesel desde 17 de outubro de 2022. O objetivo é atingir emissões zeradas de CO2 até 2038.
O biometano, obtido a partir da decomposição de resíduos, pode reduzir as emissões de poluentes entre 80% e 90%. Contudo, como essa solução é considerada uma transição, haverá desafios para sua implementação, principalmente em relação à vida útil dos veículos.
São Paulo, que possui a maior frota de ônibus elétricos do Brasil, com cerca de 1.300 unidades, ainda não conseguiu alcançar a meta de 2.600 veículos elétricos planejados para 2024. Em resposta à proibição do diesel, a cidade vê sua frota envelhecer rapidamente, já que a ampliação da idade dos veículos foi autorizada.
O prefeito Ricardo Nunes anunciou que, até 2028, pretende incluir 2.200 ônibus com menores emissões no sistema, buscando alternativas além dos modelos elétricos.
O projeto de conversão da Sambaíba com a MWM, que começou em 2024, ainda não possui veículos em operação comercial. Há uma divisão entre a administração municipal sobre a urgência na viabilização dos ônibus movidos a biometano, com preocupações sobre a infraestrutura necessária para produção e distribuição desse combustível.
Enquanto isso, outros testes realizados com ônibus a GNV em diversas cidades do Brasil mostram que a tecnologia pode ser economicamente viável e oferecer reduções significativas nas emissões.
Com o avanço da tecnologia e a demanda crescente por soluções mais sustentáveis, o modelo de biometano apresenta uma alternativa de transição atraente, apesar de não cumprir as metas de zeragem de emissões. A cidade de São Paulo, portanto, observa atentamente as inovações que podem determinar o futuro do transporte coletivo.
As iniciativas que combinam biometano e gás natural podem fornecer um ponto de partida valeroso para o objetivo de descarbonização, mesmo que atualmente as exigências da legislação e o contexto de infraestrutura ainda apresentem desafios substanciais.
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