Denys Khomenko recorda com serenidade a noite em que um drone russo rompeu o arco de proteção na Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, evitando por pouco uma nova tragédia. Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, desde então os trabalhadores repararam o buraco, mas as ameaças ao local, que foi palco do pior desastre nuclear do mundo, permanecem alarmantes. O país se prepara para marcar o 40º aniversário do acidente neste domingo (26).
A Rússia continua a intensificar seus ataques aéreos contra a Ucrânia, enquanto a estrutura danificada da usina ainda necessita de reparos para garantir a segurança das toneladas de detritos radioativos que permanecem em seu interior. Khomenko, vice-diretor de operações técnicas, enfatiza a importância de manter a calma em um ambiente de alto risco, garantindo que a usina desativada permaneça funcional e segura.
Atualmente, cerca de 2.250 funcionários trabalham na instalação. A usina, situada a cerca de 100 km ao norte de Kiev, é cercada por uma calma inquietante, rodeada por vastas florestas. Guardas Nacionais realizam patrulhas na área, enquanto os trabalhadores são transportados de ônibus em turnos de 13 dias, uma viagem que agora dura seis horas devido à destruição da ponte entre a Ucrânia e a Belarus durante a invasão russa.
O ataque ocorrido em fevereiro de 2025 provocou um incêndio entre duas camadas do Novo Confinamento Seguro (NCS), uma estrutura construída em 2016. O ataque danificou uma membrana que cobria o escudo original do Reator nº 4, mas nenhum vazamento foi detectado até agora. O dano é visível, com um pequeno painel branco colado na estrutura brilhante de 257 metros de largura, enquanto o escudo original permanece intacto, embora cinza e enferrujado.
Moscou nega seu envolvimento no ataque e afirma que as autoridades ucranianas provavelmente realizam essas ações como uma “provocação”. Entretanto, o procurador-geral da Ucrânia, conforme reportado pela Reuters, informou que drones e mísseis russos têm sido frequentemente lançados em rotas de voo próximas à instalação.
Khomenko também alertou que o Centro de Segurança Nuclear não é a única estrutura vulnerável na usina, enfatizando o risco associado ao armazenamento de combustível nuclear nas proximidades. O Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD) estima que reparos extensivos no CSN podem custar pelo menos 500 milhões de euros (aproximadamente R$ 2,9 bilhões) até 2030.
A presidente do BERD, Odile Renaud-Basso, destacou que a corrosão pode comprometer a eficácia do confinamento, que custou 2 bilhões de euros e foi projetado para durar 100 anos. Caso a corrosão se agrave, a usina poderá precisar iniciar o processo de contenção do zero. Além da necessidade de financiamento, a realização desse trabalho enfrenta a realidade da escassez de mão de obra, dada a complexidade dos reparos, segundo Khomenko.
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