Foto divulgação: Portal SGC
Rondônia continua a ser um dos estados que não aderiram ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, uma iniciativa lançada em 4 de fevereiro que visa integrar ações de prevenção, investigação e enfrentamento à violência letal contra as mulheres. Essa recusa ocorre em um contexto preocupante, com dados alarmantes sobre homicídios de mulheres no estado.
Dados oficiais indicam que, em 2025, Rondônia registrou 25 casos de feminicídio. Somente entre janeiro e julho desse ano, houve 17 ocorrências, um aumento de 112% em comparação com o mesmo período de 2024, que somou apenas oito casos. Esse crescimento está em linha com a tendência nacional, que reportou 1.470 feminicídios em 2025, ou seja, uma média de quatro mortes diárias no Brasil.
No detalhamento por municípios, Porto Velho prevalece com o maior número de casos, totalizando seis. Presidente Médici e Ji-Paraná aparecem na sequência, cada um com dois casos registrados. Este panorama destaca como a questão da violência contra a mulher se espalha por diversas áreas do estado.
Levantamentos da Secretaria de Segurança Pública revelam que Rondônia possui taxas superiores à média nacional. Em 2022, o estado teve 3,1 feminicídios a cada 100 mil mulheres, a maior taxa do Brasil naquele ano. Em 2025, essa taxa subiu para 1,43 por 100 mil habitantes, posicionando Rondônia como o segundo estado com maior incidência. Entre janeiro e outubro, a taxa de homicídios de mulheres chegou a impressionantes 14,6 por 100 mil, a terceira maior do país.
O perfil das vítimas segue uma tendência observada nacionalmente: a maioria tinha entre 18 e 44 anos e estava em um relacionamento com o agressor. Aproximadamente 63% dos casos envolveram companheiros, enquanto 21% eram ex-parceiros. Vale destacar que cerca de 64% das mortes ocorreram no domicílio da vítima ou do agressor.
Os registros de violência doméstica também estão em ascensão. Segundo dados do Observatório de Segurança Pública, as denúncias subiram de 556 em 2023 para 606 em 2024. Muitas das vítimas já haviam buscado ajuda anteriormente, incluindo a solicitação de medidas protetivas.
Um caso que chamou a atenção recentemente foi o assassinato da professora Juliana Santiago, de 41 anos, na última sexta-feira (6), dentro da Faculdade em Porto Velho. Este crime se adiciona às estatísticas e amplia a discussão sobre a violência contra as mulheres no estado, que já enfrenta notificações preocupantes relacionadas ao feminicídio.
O cenário em Rondônia é preocupante, reafirmando a necessidade de ações efetivas e integração entre os setores para combater essa realidade. A adesão ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio poderia ser um passo significativo na luta contra a violência de gênero, proporcionando um sistema mais robusto de proteção e assistência às vítimas.
Conforme reportado pelo Diário da Amazônia, a situação exige atenção urgente e mobilização de políticas públicas que combatam essa forma brutal de violência.
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