A reforma tributária brasileira traz à tona um desafio crítico para as empresas: a crescente necessidade de integração entre os departamentos Fiscal e de Tecnologia. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, as discussões sobre alíquotas e novos modelos de cobrança frequentemente ofuscam um problema estrutural que já afeta as operações das companhias.
Tradicionalmente, as áreas tributária e de TI funcionaram como “ilhas”, levando a um fluxo de trabalho apenas reativo. O departamento tributário interpretava novas legislações e repassava as demandas para a TI, que atualizava os sistemas. Este modelo, embora conveniente em um contexto de obrigações mensais, é insustentável na nova era digital imposta pela reforma tributária, que exige operações em tempo real e altamente integradas.
Um exemplo claro dessa necessidade é o Split Payment, onde o imposto deverá ser pago no momento da liquidação da transação. Isso transforma a apuração tributária em um processo crítico e instantâneo. Sem uma comunicação eficiente entre o ERP, o sistema fiscal e o banco, a venda pode ser inviabilizada. Um erro fiscal, portanto, se traduz imediatamente em uma perda de receita, tornando a integração essencial.
Neste novo cenário, profissionais de áreas fiscais que possuem conhecimento sobre regulamentação tributária podem não ter a compreensão necessária sobre tecnologias em nuvem. Da mesma forma, desenvolvedores que são especialistas em criar sistemas eficazes podem ignorar o impacto negativo de uma parametrização imprecisa. Essa falta de comunicação entre as disciplinas resulta em passivos ocultos, que poderão comprometer a saúde financeira das empresas.
A partir deste ano, as empresas brasileiras precisam administrar simultaneamente o modelo atual, com ICMS, PIS e COFINS, e o novo sistema tributário. Para que isso ocorra de maneira eficaz, será crucial revisar as relações entre os departamentos, formando equipes multidisciplinares onde tecnólogos e especialistas tributários trabalhem juntos. Desta forma, os KPIs devem ser compartilhados, estabelecendo que a precisão tributária é responsabilidade da TI, assim como a performance dos sistemas deve ser uma preocupação do departamento Fiscal.
A nova realidade imposta pela reforma tributária revela que a conformidade legal agora é um reflexo da excelência em tecnologia. Companhias que compreenderem que contadores precisam atuar como arquitetos de sistemas e desenvolvedores devem entender os impactos financeiros terão vantagem na adaptação às novas exigências. Em contraste, organizações que mantiverem a separação entre TI e Fiscal podem enfrentar dificuldades sérias em um ambiente de transformação digital acelerada.
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