Milhares de albaneses protestam contra projeto turístico de Jared Kushner
Na última terça-feira (2), milhares de cidadãos saíram às ruas de Tirana, capital da Albânia, em um protesto significativo contra um projeto de turismo de luxo ligado a Jared Kushner, genro do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os manifestantes levantaram suas vozes contra a proposta, que prevê a construção de hotéis e resorts de luxo em áreas protegidas, incluindo a ilha desabitada de Sazan e a costa de Vjosa-Narta.
Entre as palavras de ordem, destacaram-se frases como “Cancelem o projeto” e “A Albânia não está à venda”, refletindo um forte sentimento de resistência a interesses estrangeiros que poderiam comprometer a soberania nacional. A manifestação foi em parte uma resposta a uma investigação anunciada pela Promotoria Especial da Albânia sobre a origem dos fundos utilizados na compra dos terrenos e nas operações de venda para investidores.
Conforme divulgado pelo Diário do Centro do Mundo, a controversa situação se agrava com a abertura de uma investigação que analisa como a proposta de Kushner afetaria áreas protegidas e o impacto ambiental associado. O projeto turístico, que já suscita preocupações entre ambientalistas e moradores, foi impulsionado por Kushner há dois anos, com investimento estimado em torno de 1,4 bilhão de euros.
Durante a manifestação em Tirana, houve confrontos entre seguranças privados e protestantes, resultando em diversos feridos. As autoridades albanesas, em resposta à situação, suspenderam policiais e revogaram as licenças de duas empresas de segurança. Este clima tenso e a repressão ao ativismo ecologístico têm mobilizado uma crescente resistência popular.
Organizações ambientais, somando aproximadamente 40 entidades, já solicitaram a suspensão imediata das obras, alegando que o empreendimento ameaça a biodiversidade da região. Assim como moradores de Zvernec, que já se manifestaram contra cercas de arame farpado que limitavam o acesso às praias locais, a preocupação com a destruição ambiental é um tema central entre os opositores do projeto.
Em um comentário controverso, Ivanka Trump mencionou que se sentiu “cativada” pela ilha, enfatizando que o projeto vai além de um mero investimento, mas representa uma extensão de suas experiências pessoais no setor imobiliário. Suas declarações geraram críticas e chamaram a atenção para a lucrativa, mas polêmica, expansão do turismo em regiões ecologicamente sensíveis.
A situação na Albânia expõe não apenas a luta local contra a comercialização de terras, mas também levanta questões sobre o impacto das iniciativas estrangeiras em áreas ambientalmente delicadas. A investigação e os protestos continuam a repercutir, evidenciando um forte espírito cívico entre os albaneses.
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