Cruzamento das Avenidas São João e Ipiranga, no centro de São Paulo
O projeto intitulado “Times Square paulistana”, que visa a instalação de grandes painéis de LED em áreas centrais de São Paulo, foi aprovado na última quarta-feira (11) pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) da Prefeitura de São Paulo. O órgão é responsável pela aplicação da Lei Cidade Limpa, que originalmente proíbe a instalação de telões desse tipo.
Conforme reportado pela [iG Último Segundo](https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/2026-03-12/times-square-paulistana–centro-de-sp-tera-teloes-de-led-de-ate-mil-m.html), a aprovação ocorreu após um embate entre conselheiros da prefeitura e representantes da sociedade civil, resultando em oito votos a favor e seis contra. O projeto será implementado através de um termo de cooperação.
### Detalhes da Instalação
A Fábrica de Bares, responsável pelo Bar Brahma, planeja instalar quatro painéis de LED na esquina das avenidas Ipiranga e São João. Os equipamentos poderão operar das 5h às 23h e devem seguir regras rigorosas: 30% do tempo será dedicado à publicidade, enquanto os 70% restantes contemplarão informações culturais e de utilidade pública.
Serão proibidos anúncios de varejo, jogos de azar, conteúdos adultos, imagens de violência e mensagens de caráter político ou religioso. Os painéis terão tamanhos variando de 300 m² a 1.000 m² e serão posicionados em quatro edifícios icônicos: Cine Paris República, Edifício Herculano de Almeida, Galeria Sampa e Edifício New York. O Edifício Independência, que abriga o Bar Brahma e é tombado, receberá projeções laterais.
### Contrapartidas e Melhoria Urbana
Como parte do acordo para a instalação dos painéis, a Fábrica de Bares se comprometeu a realizar melhorias estimadas em R$ 6 milhões na região central de São Paulo, ao longo de três anos. As propostas incluem a reforma da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e a recuperação da estátua Mãe Preta, além do famoso Relógio de Enichel.
### Opiniões e Críticas
Regina Monteiro, presidente da CPPU, defende o projeto, ressaltando que não se trata de exploração comercial, mas sim uma forma de viabilizar mudanças na cidade. Segundo ela, ferramentas como esta já existem há 20 anos, mas nunca foram implementadas.
Entretanto, críticos como o vereador Nabil Bonduki (PT) se opõem à proposta, acreditando que ela enfraquece a Lei Cidade Limpa e pode abrir precedentes para a proliferação de anúncios na cidade, revertendo o progresso feito na redução da poluição visual.
Conforme Bonduki, “a criação dessa exceção pode ser um verdadeiro Cavalo de Troia, ameaçando os benefícios proporcionados pela Lei Cidade Limpa desde 2006”.
A implementação do projeto é prevista para ocorrer em um período de três a quatro meses, segundo a Prefeitura de São Paulo.
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