Mensagens de áudio e texto revelaram a gravidade dos casos de corrupção na Polícia Civil de São Paulo, alvo de uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (5). As investigações indicam que policiais civis estavam exigindo até R$ 33 milhões em propinas para arquivar inquéritos relacionados a suspeitos de lavagem de dinheiro.
Em uma das gravações, um investigado menciona: “Fui até a delegacia, tá? É referente a uma transferência de (R$) trinta e três milhões. Ali naquela delegacia, o delegado é ‘parceiraço’ meu, tá? Você quer que eu faça alguma coisa lá? Tô… Vou aguardar a orientação tua, tá bom?”.
Conforme reportado pelo CNN Brasil, os policiais utilizavam valores como o R$ 33 milhões para intimidar e pressionar os suspeitos, aumentando a probabilidade de um “acerto”.
Um dos alvos do MP contestou a existência da transferência milionária, afirmando que se tratava de “um mero instrumento de pressão”, e a Justiça confirmou que nenhum registro desse montante consta nos autos.
Consultoria de Criminosos: Em conversas, foi evidenciado que alguns policiais pediam “dicas” de criminosos sobre como lucrar. Um dos investigados mencionou: “Quando conversei com o escrivão, ele disse ‘ah, é setecentos pau’ (R$ 700 mil). Baixei para um valor menor e ele aceitou, porque é para você!”, referindo-se a subornos.
A decisão judicial indicou que os investigados discutiam uma abordagem a agentes públicos para “resolver” questões relacionadas a intimações, sugerindo pagamento de propina para encerrar investigações.
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Na manhã de quinta-feira (5), o MPSP e a PF deflagraram a Operação Bazaar, focando em corrupção e lavagem de dinheiro na Polícia Civil de São Paulo.
Estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, incluindo em unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis de intimação. Os alvos incluem advogados, policiais civis e integrantes da organização criminosa.
Entre as prisões realizadas estão dois investigadores, um escrivão e um delegado, além de Meire Poza, um dos doleiros apontados. A equipe ainda procura Leonardo Meirelles e outros membros do grupo criminoso.
O documento que autorizou a operação destaca “um elevado grau de prática de corrupção sistêmica” que envolve policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e outras unidades.
A corrupção estava estruturada para proteger uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro, composta por doleiros e operadoras financeiras. O grupo agia de forma coordenada para manter suas atividades ilegais e evitar a responsabilização, realizando pagamentos sistemáticos a agentes públicos e praticando fraude processual e manipulação de investigações.
A operação, conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Serão realizadas correições extraordinárias em todas as unidades policiais envolvidas.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo declarou que a Polícia Civil não tolera desvios de conduta e adotará medidas disciplinares apropriadas caso irregularidades sejam confirmadas.
A CNN Brasil busca contatar os defensores dos envolvidos e permanece aberta para manifestações sobre o caso.
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