Resumo
A Polícia Federal revelou mensagens entre o deputado Júnior Mano e o cantor Wesley Safadão que indicam um pedido de patrocínio de R$ 200 mil, interpretado como possível “solicitação camuflada de propina”. Em resposta, Safadão negou qualquer envolvimento político e esclareceu que as conversas referem-se apenas a uma solicitação comum no setor de eventos. O deputado também defendeu que não há ilegalidade nas mensagens.
De acordo com informações publicadas pelo O POVO, a Polícia Federal (PF) apontou que o deputado federal Júnior Mano (PSB) teria solicitado R$ 200 mil para um evento em Nova Russas, em 2024, através da empresa BetVip. Segundo o relatório da PF, essa solicitação é considerada uma possível “propina camuflada”.
Em resposta, Wesley Safadão afirmou que não tem envolvimento político e que a troca de mensagens com Júnior Mano se refere a um pedido de patrocínio comum no universo de eventos e entretenimento. O cantor se afastou de qualquer conotação negativa em relação aos diálogos, ressaltando a normalidade deste tipo de solicitação.
Capturas de tela de conversas no WhatsApp mostram Mano apresentando a programação do evento e mencionando a empresa como uma possível fonte de recursos. O deputado também enviou uma nota ao O POVO, alegando que os diálogos não indicam nenhuma ilegalidade em suas ações.
Conversas entre Júnior Mano e Wesley Safadão solicitando R$ 200 mil em patrocínio
O relatório da PF ainda menciona que a solicitação de Júnior Mano aconteceu logo após a indicação de Wesley como atração do evento. “Estranha-se que o ‘patrocínio’ solicitado pelo parlamentar venha após a indicação do referido cantor como atração musical na cidade de Nova Russas, administrada pela esposa do parlamentar”, apontou o documento.
Além disso, o relatório contém menções a uma conversa entre Júnior Mano e uma servidora do Serviço Social do Comércio (Sesc) sobre a preocupação do deputado com a preservação da data do cantor para o evento.
A relação entre Júnior Mano e a Prefeitura de Nova Russas é destacada no relatório, que indica que o cantor foi contratado por R$ 900 mil, sem licitação, por meio de um processo de inexigibilidade, conforme dados do Portal da Transparência. O mesmo cantor também foi contratado pela Prefeitura de Morada Nova, por cerca de R$ 1 milhão.
Wesley Safadão foi contratado pela Prefeitura de Nova Russas por meio de inexigibilidade de licitação por cerca de R$ 900 mil
O relatório da PF contém quase 400 páginas e menciona Wesley Safadão em cinco trechos, incluindo um pedido feito por Júnior Mano ao então ministro de Portos e Aeroportos, para a liberação de duas aeronaves pertencentes ao cantor, com o objetivo de uso em campanhas eleitorais.
Em declaração, Júnior Mano mencionou: “Passando 2 pedidos pra você do mesmo assunto: liberação de 2 aeronaves do Wesley safadão… Precisando urgente, porque vou andar nesse menor nas campanhas, não aguento mais carro…rsrs(sic)”.
A PF menciona Junior Mano em aeronave vinculada ao cantor Wesley Safadão, em busca de liberação junto à Anac
Wesley Safadão repudia qualquer vínculo político com os envolvidos. A troca de mensagens foi exclusivamente sobre um pedido de patrocínio, comum no setor de eventos.
O artista não tem qualquer relação com articulações políticas ou decisões institucionais e continua focado em sua carreira musical.
Yvens Watila, irmão de Safadão, é citado no relatório por sua proximidade com Júnior Mano. Um incidentes em julho de 2025 durante a Operação Underhand revela Watila visitando o apartamento funcional do deputado.
O documento também sugere uma comunicação próxima entre a família do cantor e o parlamentar, evidenciada por mensagens que envolvem temas administrativos relevantes.
O relatório menciona Edim Oliveira, ex-prefeito de Aracoiaba, que também é indicado por sua ligação com processos investigativos, sendo mencionado em diálogos sobre contratações. Edim foi apoiado por Wesley durante suas campanhas eleitorais.
A investigação se originou de uma denúncia formal que aponta possíveis irregularidades relacionadas à compra de votos em eleições anteriores, interligando diversos casos na Região do Ceará.
Os diálogos atribuídos ao deputado foram mal interpretados, não refletindo ilegalidade alguma.
Assessoria de Imprensa do deputado Júnior Mano.
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